sábado, 3 de julho de 2021

CATÁSTROFE CLIMÁTICA PLANETÁRIA PODE SER EVITADA

 Projeto Drawdown apresenta caminho viável para a reversão do efeito estufa   

Na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, 195 nações, inclusive o Brasil, apresentaram as suas contribuições para a 21ª Conferência do Clima da ONU (COP21), realizada em Paris entre 30 de novembro e 11 de dezembro/2015, com o principal objetivo de conter o aquecimento do planeta em até 2º C até o fim deste século, em relação aos níveis pré-industriais, e assim evitar as mudanças climáticas catastróficas para a Terra. É muito evidente que esse compromisso é muito difícil de ser alcançado e isso só será possível se ocorrer o efetivo engajamento dos países, envolvendo os seus entes públicos, privados e não-governamentais e principalmente os  maiores interessados, os seus cidadãos.  

Na realidade, o Mundo está vivendo um tempo de transformação dramática e se encontra numa encruzilhada em que devemos escolher a postura a  ser colocada em prática, na medida que a humanidade já ultrapassou a capacidade de carga e exploração do Planeta de modo que reverter a sua pegada ecológica passa a ser uma necessidade.

Ref.: a) 100 solutions to reverse global warming | Chad Frischmann 19 de dez. de 2018 TED

b) Drawdown: Is it possible to reverse global warming? 10 de nov. de 2017 Simar Kochar

 

O Projeto Drawdown mostra as soluções para o Planeta

Várias iniciativas nesse sentido estão sendo adotadas, mas entre elas pode ser destacado o Projeto Drawdown, que  é um movimento liderado por Paul Hawken, que transformou o seu livro de mesmo nome, em um projeto que envolve diversas entidades e apresenta soluções para a redução de emissões de carbono em várias frentes, como energia e agricultura com o objetivo de evitar as possíveis mudanças climáticas catastróficas.

O objetivo do Projeto Drawdown é apontar caminhos viáveis para se chegar em um futuro o mais próximo possível o momento do ‘drawdown’ (meta para rebaixamento) quando as emissões de gases do efeito estufa parem de subir e comecem a cair, com base em trabalhos científicos  e pesquisas realizadas em todo o mundo, em vários setores, de finanças à climatologia.

Atingir este ponto de virada, do “drawdown”, é fundamental para a viabilidade da vida no planeta, de modo mais rápido possível, com segurança e de forma homogênea.

 Iniciativas viáveis para a reversão do efeito estufa

O livro, dividido em 8 capítulos (energia, alimentos, mulheres e meninas, edifícios e cidades, uso da terra, transporte, materiais e futuras atrações) cria um ranking com base no potencial de redução atmosférica total de carbono. Para cada solução apresentada, há uma descrição histórica, como funciona o projeto e são apontados o impacto de redução de carbono, custo e economia obteníveis, qual o caminho para a adoção, destacando os benefícios a serem almejados, inclusive os econômicos e na geração de empregos.

Entre as principais iniciativas destacam-se: 1) gerenciamento de agentes de refrigeração; 2) geração maciça de energia limpa, por painéis solares inclusive nos telhados de construções e turbinas eólicas;  3) reciclagem de materiais; 4) redução de desperdício de alimentos; 5) opção por alimentação rica em vegetais; 6) proteção das florestas tropicais e recuperação da cobertura florestal; 7) investimento na educação de meninas; 8) planejamento familiar; e 9) silvopastagem, pelo manejo integrado da pastagem e criação de gado e o plantio de árvores, no mesmo local, para otimizar a produtividade por área utilizada.

Shoji

sábado, 26 de junho de 2021

AGRICULTURA FUTURÍSTICA EM ÁREAS DESÉRTICAS

 É cada vez mais evidente que o desenvolvimento da ciência é um campo praticamente inesgotável a ser prospectado, inclusive na área da agricultura, para a produção de alimentos e demais insumos essenciais à sobrevivência humana. 

Nesse escopo, é instigante o artigo escrito pelo Décio Luiz Gazzoni, engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Soja, no Jornal de Londrina, de 14.05.2015, segundo o qual os estudos, por exemplo, com fotossíntese permitem abrir a perspectiva de produzir alimentos em países nórdicos, com temperaturas de 30º negativos, e sem sol, e no outro extremo, em regiões desérticas, onde solos férteis e água são insumos raros, quase inexistentes. 

 

Ref.: Growing food in the Australian desert with sunlight and seawater - the Sundrop Farms project 27 de mar. de 2017 Aalborg CSP

Agricultura sustentável em áreas desérticas

Inegavelmente, a agricultura é altamente intensiva em uso de terra fértil, água e energia, que são insumos cada vez mais escassos e a custos crescentes, cuja exploração predatória tem pressionado significativamente os recursos naturais e ambientais ao redor do mundo. 

Para superar a escassez de terras férteis, água doce em regiões áridas que constituem cerca de um terço da Terra, a tecnologia do seawater greenhouse (estufa de água do mar) substitui água doce, terras férteis e combustíveis fósseis por água salgada, terreno não agricultável e energia solar.

Por essa tecnologia, as plantas são cultivadas em estufas hidropônicas, assentadas em terras não agricultáveis. A hidroponia é uma técnica já conhecida, mas a inovação está em usar a geração fotovoltaica para a produção de eletricidade a partir da radiação solar, com o objetivo principal de dessalinizar a água do mar ou do subsolo para a obtenção da água doce para a irrigação das plantas.  Os sais e nutrientes resultantes do processo de dessalinização, juntamente com demais fertilizantes e nutrientes, são adicionados à água de irrigação.

 Estufa da água do mar no deserto na Austrália

Um dos projetos pioneiros da aplicação da técnica do seawater greenhouse foi a da empresa Sundrop instalada em Port Augusta, Austrália, em 2010, com cobertura de estufa de dezenas de hectares, em local próximo ao seu mercado consumidor, que produzem 170 mil toneladas de tomates por ano (15% do mercado australiano), configurando um investimento econômico e ambientalmente sustentável.

 

Potencial agrícola em desertos do Mundo

As novas tecnologias podem ocupar espaço crescente, mas por enquanto terão um papel complementar à agricultura tradicional, na medida que a demanda por produtos agrícolas mostra perspectiva de aumentar substancialmente nas próximas décadas. Nesse sentido, abre-se a oportunidade do uso das novas tecnologias agrícolas  em várias regiões do Mundo com escassez de água e de terras férteis.  Nesse escopo, locais como o litoral e o semiárido brasileiro, com grande oferta de luz solar, de água do mar e de água salgada no subsolo, associadas à proximidade dos mercados consumidores interno e externo, figuram como candidatos óbvios para participar dessa nova revolução verde.

Shoji

 

sábado, 5 de junho de 2021

SACOLA PLÁSTICA PROIBIDA NO PARÁ

 A partir de 14.02.2021 não há mais sacola plástica gratuita nos supermercados paraenses  

Poluição plástica causa sério impacto ambiental

Segundo a ONU, a poluição causada pelo descarte de objetos de plástico é um dos grandes desafios da atualidade. A sacola plástica, ao ser descartada de maneira inadequada, provoca sérios prejuízos ao meio ambiente, contribuindo para o entupimento de drenagem urbana, ocorrência de inundações e poluição de cidades, rios, lagoas, oceanos e o meio ambiente em geral. Os detritos plásticos são contaminantes complexos e persistentes, sendo quase indestrutíveis, dividindo-se em partes menores, até mesmo em partículas de escala nanométrica, transformando-se em microplásticos, que podem subsistir nos mais diversos meios, corpos e alimentos, inclusive em águas engarrafadas. Ou seja, ao se transformar em microplásticos, o plástico acaba sendo ingerido por tartarugas, peixes e outras espécies marinhos e animais, muitas das quais são importantes fontes de alimento humano.   

 

Em função do sério impacto ambiental, diversos países no Mundo têm aprovado medidas para reduzir drasticamente o uso de material plástico descartado após um só uso, tais como sacolas plásticas, canudos, cotonetes, pratos, talheres descartáveis, embalagens de comida, copos plásticos e artigos de pesca, como o caso das medidas aprovadas pelo Parlamento Europeu em 24.10.2018, tendo como meta a redução drástica desses materiais até 2021 e nos anos seguintes. As medidas na Europa de 2018 deu continuidade à guerra contra o plástico travada por aquele continente pelo menos desde 2015, quando o bloco regional aprovou uma diretiva pela redução do uso de sacolas plásticas pelos países-membros.

 

Ref.: SBT PARÁ (10.02.21): Lei proíbe o uso de sacolas plásticas no Pará em 11 de fev. de 2021 SBT Pará

Estado do Pará veda sacola plástica a partir de 24.02.2021

O Brasil encontra-se muito atrasado no combate à poluição plástica, mas começam a surgir boas ações, como o caso do Estado do Pará, onde a Lei nº 8902, de 11.09.2019,  a qual, com o objetivo de contribuir para a redução do consumo de resíduos plásticos e diminuir a poluição plástica no território paraense, proíbe a distribuição de sacolas plásticas descartáveis com compostos de polietilenos, polipropilenos (derivados do petróleo) ou similares em supermercados e outros estabelecimentos comerciais, a partir de 14.02.2021. A partir dessa data, passa a ser permitido somente a venda de sacolas produzidas com materiais de fontes renováveis e biodegradáveis, mediante a cobrança de um preço módico.  

As sacolas ou sacos plásticos que podem ser vendidas pelos mercados devem ser reutilizáveis com capacidade de, no mínimo, 4, 7 e até 10 quilos, confeccionadas com mais de 51% de material de fontes renováveis, em cores diferentes para especificar o tipo de produto a ser embalado: as verdes destinadas para resíduos recicláveis, e as cinzas, para os rejeitos, de modo a orientar o consumidor a separar adequadamente os resíduos e facilitar o serviço de coleta de lixo.

 

Situação vexatória no Distrito Federal

Enquanto isso, a situação no DF é bastante diferente da do Estado do Pará, pois a vedação à distribuição gratuita de sacolas plásticas nos supermercados já foi tentada pelo menos por 3 leis, com resultado nulo. Inicialmente, a Lei do DF nº 4.218, de 08.10.2008, ou seja há quase 13 anos, vedou o uso de embalagens plásticas para entrega aos clientes de gêneros alimentícios pelos estabelecimentos comerciais e industriais do DF, com a fixação do prazo de 3 anos para a adequação à Lei pelos citados estabelecimentos comerciais e industriais. Esse dispositivo legal foi ratificado pela Lei nº 4.765, de 22.02.2012, que determinou a substituição de embalagens do tipo sacola plástica e sacos plásticos pelos estabelecimentos comerciais e industriais e da administração pública direta e indireta no prazo de 1 ano. Finalmente, a Lei do DF nº 6.322, de 10.07.2019, vedou a distribuição gratuita ou venda de sacolas plásticas no prazo de até 12 meses, confeccionadas à base de polietileno, propileno, polipropileno ou matérias-primas equivalentes, nos estabelecimentos comerciais do DF, devendo estes estimular o uso de sacolas reutilizáveis, assim consideradas aquelas que sejam confeccionadas com material resistente e que permitam o seu uso por várias vezes.        Mas, passados quase 13 anos do advento da Lei nº 4.218/2008,  nenhuma ação  efetiva foi tomada até agora no comércio  varejista do DF, haja vista que a maioria dos clientes continuam esbanjando no uso dessas sacolas plásticas que causam sério impacto ambiental, que, comumente, são jogadas nas vias e espaços públicos, e principalmente são acumuladas nos lixões ou acabam chegando aos diversos locus geográficos, inclusive cursos de águas e oceanos.

Shoji

 

 

 

sábado, 29 de maio de 2021

A CORAGEM DE RODDIE EDMONDS SALVOU PRISIONEIROS INDEFESOS

 Uma ação benevolente pode ocorrer em qualquer lugar e de forma mais imprevista   

Holocausto foi o genocídio ou assassinato em massa de cerca de 6 milhões de judeus durante a   2ª Guerra Mundial, no maior genocídio do século XX, por meio  de um programa sistemático de extermínio étnico patrocinado pelo Estado nazista alemão, liderado por Adolf Hitler, que ocorreu em todo território  ocupado pelos alemães durante a guerra, configurando o que pode ser considerado isoladamente a maior e mais degradante catástrofe da história humana, e que, portanto, jamais deve ser esquecida e, principalmente, repetida.  Dos 9 milhões de judeus que residiam na Europa antes do Holocausto, cerca de dois terços foram mortos, sendo mais de um milhão de crianças, 2 milhões de mulheres e 3 milhões de homens judeus mortos nesse período.

Ao se considerar maior abrangência do Holocausto, o genocídio nazista contra os judeus fez parte de um conjunto mais amplo de atos de opressão e de assassinatos em massa cometidos pelo governo nazista contra vários grupos étnicos, políticos e sociais na Europa, destacando-se entre as principais vítimas não judias do genocídio os ciganospoloneses, russos, comunistashomossexuais, prisioneiros de guerra soviéticos, Testemunhas de Jeová e deficientes físicos e mentais.

Em função da dimensão e da crueldade inauditas alcançadas pelo Holocausto,  em 2007, a União Européia (EU) sancionou uma lei que considera crime a negação do Holocausto, com penalidade por prisão.  Para que essa tragédia não caia no esquecimento, a Organização das Nações Unidas (ONU) homenageia as vítimas do Holocausto, tonando, desde 2005, o dia 27 de janeiro, o dia em que os prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz foram libertos, como o  Dia Internacional da Lembrança do Holocausto

 

Ref.: O bravo Sargento Roddie Edmonds - Histórias e reflexões judaicas 64 - Achdut Online 172 4 de jan. de 2018 Vídeos sobre judaísmo

Justo entre as Nações

Entretanto, a tragédia do Holocausto seria ainda maior caso muitas pessoas não tivessem atuado, direta ou indiretamente, para evitar que mais pessoas tivessem sido alcançadas pela máquina de extermínio nazista, inclusive por parte de pessoas não-judeus. Atualmente, o Estado de Israel usa o termo “Justo entre as Nações” para descrever não judeus que arriscaram suas vidas durante o Holocausto para salvar vidas de judeus do extermínio pelo nazismo.

Ao mesmo tempo, o Memorial do Holocausto Yad Vashem concede o prêmio  Justo entre as Nações como reconhecimento a todos os não judeus que durante a 2ª Guerra Mundial salvaram vidas de judeus perseguidos pelo regime nazista.

Coragem inédita do sargento Roddie Edmonds salvou vidas indefesas

Entre os premiados como Justo entre as Nações, destaca-se o caso inesperado mas corajoso do sargento norte americano Roddie Edmonds.

Em 19.12.1944, durante a batalha de Bulge, Edmonds, como membro do 106ª Divisão de Infantaria foi feito prisioneiro e enviado ao campo de prisioneiros alemão Stalag IX-A perto de Ziegenhain, onde ficou responsável por 1.275 prisioneiros de guerra. Embora a derrota alemã fosse iminente, em 27.01.1945, o comandante do campo alemão Siegmann ordenou que na manhã seguinte fossem apresentados os soldados judeus americanos para que eles fossem separados dos demais prisioneiros. No dia seguinte, ao invés de separar os prisioneiros judeus americanos, Edmonds ordenou que todos os 1.275 prisioneiros se reunissem fora dos barracões. Enfurecido, o comandante Siegmann postou a pistola na cabeça do Edmonds e exigiu a identificação dos judeus americanos. Ao invés disso, Edmonds respondeu que todos eram judeus, ou seja, se ele quisesse executar somente os judeus, teria que matar todos os prisioneiros americanos.  Mas em seguida advertiu que caso qualquer mal seja causado aos prisioneiros, o comandante alemão seria processado por crime de guerra logo após ao fim da guerra, conforme a Convenção de Genebra, pois segundo essa convenção ao prisioneiro somente pode ser exigido informar o nome, posto e o seu número de identificação, mas não a religião professada. Diante disso, estando a Alemanha já derrotada, o comandante alemão desistiu da sua exigência. Com essa postura, cerca de 300 judeus americanos foram salvos de uma possível morte.  Esse fato nunca foi relatado a ninguém até a  morte de Edmonds em 1985, aos 65 anos.

Somente após essa data, com base no diário deixado por ele, seu filho o reverendo batista Chris Edmonds começou a desvendar esse episódio, inclusive com a localização de diversos judeus americanos salvos pelo ato do seu pai, os quais providenciaram testemunho perante o Yad Vashem. Finalmente, o prêmio Justo entre as Nações foi concedido a Roddie Edmonds em 27.01.2016, na embaixada israelense em Washington D.C., com a presença do presidente Barak Obama.

Shoji