sábado, 16 de maio de 2026

COZINHAR PROTEGE O CÉREBRO

 Cozinhar reduz demência em 30%  

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Ciência de Tokyo, no Japão, publicado na revista científica Journal of Epidemiology & Community Health, constata que preparar uma refeição caseira pelo menos uma vez por semana está associado a uma redução de 30% no risco de demência entre pessoas idosas. O trabalho, analisou dados de 10.978 participantes acima de 65 anos do Estudo Japonês de Avaliação Gerontológica, tendo a saúde cognitiva dos voluntários sido acompanhada por 6 anos, até 2022. Os idosos responderam questionários sobre a frequência com que cozinhavam refeições do zero em casa, variando de nunca a mais de 5 vezes por semana. Além disso, relataram sua competência culinária, avaliada em 7 habilidades que vão da capacidade de descascar frutas e legumes até a de preparar ensopados.

 

Ref.: Cozinhar em casa pode reduzir risco de demência em idosos, diz estudo Jornalismo TV Cultura 14.04.2026

Atividade de cozinhar reduz incidência da demência entre os idosos

Os pesquisadores relacionaram esses dados a informações sobre diagnósticos de demência provenientes do sistema público de seguros do Japão, que registra comprometimentos cognitivos com impacto funcional e necessidade de cuidados.

Ao todo, 1.195 pessoas desenvolveram demência. Ao analisar todas essas informações, os cientistas constataram que uma maior frequência de cozinhar em casa estava ligada a um risco menor da doença durante o período.

Preparar uma refeição pelo menos uma vez por semana foi associado a um risco 23% menor de demência em homens e 27% menor em mulheres, em comparação com cozinhar menos de uma vez por semana. Entre idosos que relatavam poucas habilidades culinárias, essa redução foi ainda maior, de 67% no risco de demência.

Enfim, o estudo constata os benefícios da ação de cozinhar que é uma habilidade que envolve vários processos cognitivos, motores e sensoriais, como o planejamento do cardápio, a escolha dos ingredientes e o preparo em si, que ativam diversas áreas do cérebro, com a atividade física principalmente em coordenação com o movimento das mãos e dedos.

Os achados foram observados mesmo após considerar outros fatores que poderiam influenciar o risco, como estilo de vida, renda familiar e anos de escolaridade. Além disso, o efeito foi isolado do de outras atividades benéficas para o cérebro, como artesanato, voluntariado e jardinagem.

 A conexão social ajuda a preservar a saúde do cérebro

Susan Kohlhaas, diretora executiva de pesquisa da Alzheimer’s Research UK, pondera que o trabalho tem limitações, pois o estudo é do tipo observacional, ou seja, analisa duas variáveis numa população, neste caso o hábito de cozinhar e o diagnóstico de demência, e busca uma relação entre eles. Ainda que possam encontrar associações importantes, trabalhos do tipo não conseguem atestar que se trata de uma relação de causa e efeito.

Mesmo assim, a diretora da Alzheimer’s Research UK concorda que os resultados estão alinhados ao que se sabe hoje sobre o impacto de realizar atividades que estimulam o cérebro no risco de demência, ou seja, há boas evidências de que manter-se ativo, alimentar-se bem e permanecer socialmente conectado pode ajudar a preservar a saúde do cérebro.

Shoji