sábado, 7 de fevereiro de 2026

IMPLOSÃO DE UM ÍCONE NO CORAÇÃO DE BRASÍLIA

 A demolição do Hotel Torre marca o fim da sua história e o início de um novo ciclo

A calma manhã de domingo ensolarado no dia 25.01.2026 no Eixo Monumental no coração da capital federal, Brasília, foi bruscamente perturbada às 10h por um estrondo associado à implosão de um antigo hotel de luxo, o Torre Palace, o que marcou o fim da história que começou em 1973, quando foi inaugurado.

 

Ref.: Torre Palace, um dos prédios icônicos da hotelaria nacional, é demolida no DF | IndoMoney News InfoMoney 25 jan 2026

Trajetória do Hotel Torre Palace

O hotel foi construído pelo empresário libanês Jibran El-Hadj com 14 andares, 140 apartamentos, e hospedou autoridades, celebridades, diplomatas e empresários nacionais e internacionais durante décadas, além de abrigar restaurantes muito apreciados.

Ao morrer em 2000 o empresário deixou um patrimônio de R$ 200 milhões em valores da época. A falta de entendimento entre seus herdeiros na partilha de bens resultou em disputa judicial o que levou à decadência gradativa do hotel culminando com o seu fechamento em 2013. Abandonado, o hotel ficou à mercê do tempo e dos moradores sem teto e dos usuários de drogas, resultando em total degradação da edificação. A deterioração do Torre Palace contrastava com a vizinhança abastada, em local privilegiado no Eixo Monumental com vistas a cartões postais de Brasília como a Esplanada dos Ministérios, o Congresso Nacional e as chafarizes da Torre de TV. A invasão ilegal e o conflito entre seus ocupantes levou à operação de desocupação pelo governo do DF com uso da necessária força coercitiva em 2016.

 Início de um novo ciclo

Em 2020, o hotel foi levado a leilão mas sem sucesso e a sua venda só foi concretizada em 2025. Após 12 anos de abandono e riscos em sua estrutura, finalmente o Torre Palace foi implodido com o uso de 165 kg de explosivos colocados no térreo e nos 1º 2º 3º e 7º andares e sua queda levou menos de 10 segundos e foi acompanhada com entusiasmo por uma multidão de todas as idades. Nessas horas há sensação de que o antigo e decrépito dará lugar a um novo com melhores perspectivas, ou seja, a renovação do ciclo de vida.

Considerando-se tratar de uma área muito valorizada, no local será edificado novo hotel  mais moderno e adequado aos novos tempos.

Shoji

sábado, 31 de janeiro de 2026

ENCHENTES FECHAM O PARQUE KRUGER

 Chuvas torrenciais inéditas fecham o notório parque Kruger em janeiro/2026

O Parque Nacional Kruger é a maior área protegida  de fauna selvagem da África do Sul, cobrindo cerca de 20 000 km2, com a extensão de cerca de 350 km de norte a sul e 60 km de leste a oeste, localizado no nordeste do país, nas províncias de Mpumalanga e Limpopo, fazendo fronteira com Moçambique e o Zimbabwe.

Juntamente com o Parque Nacional do Limpopo, em Moçambique, e com o Parque Nacional Gonarezhou, no Zimbabwe, forma o Parque Transfronteiriço do Grande Limpopo. Os parques nacionais africanos, nas regiões da savana africana, são importantes não somente pela preservação da vida selvagem mas também pelo turismo com safári de observação e fotográfico, sem caçada de animais selvagens como ocorria antigamente.

 

rEF.: Kruger Floods 2026: The first few days The Bush Telegraph 18 jan 2026

@WildTanzaniaAndKenya 18 jan 2026 TRT Afrika

Notoriedade do Parque Kruger

O parque Kruger, criado em 1926 com o nome em homenagem ao presidente sul africano que criou a reserva de caça Sabie em 1898, tornou-se uma das mais notórias reservas naturais do mundo pela  elevada densidade de animais selvagens, incluindo os "Big 5": leões, leopardos, rinocerontes, elefantes e búfalos. Além disso, centenas de outros mamíferos fazem dele a sua casa, tais como várias espécies de aves, como os abutres, as águias e as cegonhas, cercadas de amplas montanhas, planícies arborizadas e as florestas tropicais. Esse verdadeiro paraíso da vida selvagem é visitado por cerca de 2 milhões de turistas anualmente sendo que 14% deles se hospedam nas diversas instalações do parque.

 Fechamento temporário do Parque Kruger em jan/26

Entretanto, a rotina do Parque Kruger foi afetada seriamente com o seu fechamento aos turistas a partir de 15.01.2026, após semanas de chuvas torrenciais que se iniciaram em dezembro/25 terem provocado cheias mortais nas províncias de Limpopo e Mpumalanga, com transbordo de rios, destruição de estradas e pontes e alagamento de extensas áreas. Os animais também tiveram sua rotina afetada mas sem mortes por serem adaptáveis e por conseguir deslocar-se rapidamente para terrenos mais elevados.

 

Agravamento dos efeitos do aquecimento global

Tudo indica que a catástrofe que atingiu o Parque Kruger no fim de 2025 e início de 2026 faz parte dos efeitos associados às mudanças climáticas e aquecimento global com maior incidência de fenômenos como secas severas, ondas de calor, chuvas torrenciais e consequente enchentes catastróficas, tornados, incêndios florestais, aceleração do derretimento das geleiras, elevação do nível do mar e provável submersão de vários pequenos países insulares no futuro. É mais um sinal de que todos nós devemos agir mais rápida e efetivamente para salvar o nosso Planeta.

Shoji

 

 

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

URSOS INVADEM CIDADES JAPONESAS

 Autoridades japonesas autorizam uso de armas letais nas cidades para deter o avanço dos ursos em busca de alimentos

Os ursos em busca de alimentos estão cada vez mais presentes nas cidades japonesas, sejam nas estações de trem, templos, ruas, calçadas, lojas e até em pista de aeroporto, aumentando os incidentes com os seres humanos. Por conta disso, em 2025, pelo menos 11 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas. Os ataques a humanos atingiram um patamar inédito, levando o governo a emitir alertas, fazer treinamento de prevenção em caso de avistamento de ursos, reforços de segurança e até mobilizar as forças de autodefesa (exército). O aumento substancial de incidentes indica um desequilíbrio ecológico, pois o nº de ursos praticamente dobrou no país em 30 anos, chegando a cerca de 45.000 ursos negros, que podem pesar até 130 kg., localizados mais ao norte da ilha de Honshu, e a 12.000 ursos pardos, estes de maior porte que podem chegar a até 400 kg, situados na ilha de Hokaido. Os incidentes com os ursos pardos são menos frequentes por viverem principalmente em áreas protegidas na ilha de Hokaido e por serem onívoros que se alimentam também de javalis, cabras e veados o que ajuda a manter essas populações sob controle. Embora os ursos só reajam com violência quando se sentem ameaçados a sua proximidade representa alto risco ao ser humano pela força e velocidade de deslocamento daqueles animais.

 

Ref.: Ursos invadem áreas urbanas no Japão e geram medo na população Domingo Espetacular set 2025

 

Fatores que levam os ursos a deixar o seu habitat natural

Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Japão, o aumento das incursões dos ursos nas cidades está ligado a fatores como:

·         Desmatamento e redução das áreas de floresta nativa, que diminui o acesso a alimentos naturais com o as bolotas (fruto do carvalho) as prediletas do urso;

·         Envelhecimento da população rural, que reduz a presença de humanos em áreas rurais remotas;

·         Crescente despovoamento de áreas agrícolas, que atraem os animais em busca das árvores frutíferas abandonadas;

·         Com a escassez de frutos silvestres e o declínio populacional no interior, ursos têm se aproximado de centros urbanos em busca de alimento.

 Autorização do uso de armas letais para deter o avanço dos ursos

Em função da crescente aproximação dos ursos nas áreas urbanas, as autoridades japonesas em jul/2025 autorizaram os caçadores a usar as armas de fogo caso não seja viável o uso de outros meios como armadilhas para deter o perigo desses animais, desde que que sejam adotadas providências como: aprovação do uso de armas letais por governos municipais; controle de tráfego; evacuação dos moradores locais e  existência  de uma superfície sólida por trás do urso para deter as balas, de modo a garantir a segurança da população ao redor.

 A difícil tarefa de conviver melhor com os ursos

Os conservacionistas têm resistido ao uso de armas letais como meio de deter o avanço dos ursos em áreas urbanas em busca de alimentos. Para isso tem se feito apelos no sentido de desestimular os ursos a fazer incursões pelas cidades como por exemplo pelo uso de meios pacíficos para afastar a aproximação dos ursos pelo uso de alarmes e instrumentos preventivos e idealmente pela melhoria do habitat natural dos ursos mediante recomposição das florestas nativas. Mas essa última tarefa tem se mostrado difícil e com efeitos somente a médio e longo prazos.

Shoji

 

sábado, 13 de dezembro de 2025

LAGO URMIA ESTÁ SECANDO

 Lago Urmia reproduz o desastre ocorrido no Mar de Aral

O Mar de Aral, situado na Ásia Central, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, era até 1960, o quarto maior lago do mundo, com 68.000 km2. Hoje, entretanto, sua área está reduzida a menos de 10%, e acabou ganhando notoriedade como sendo o triste retrato de uma das maiores catástrofes ambientais do Mundo, fruto basicamente da ação humana imprevidente e desastrada. 

 

Processo de encolhimento do Mar de Aral

A morte trágica do Mar de Aral começou basicamente ao fim da 1ª Guerra Mundial quando o então governo comunista soviético começou a desviar parte das águas dos rios que alimentavam o mar de Aral para aumentar a produção de alimentos. Na década de 1930 e 40, os soviéticos reforçaram o plano de transformar a região em uma grande produtora de algodão com a construção dos canais de irrigação que captavam água dos afluentes do mar de Aral,  processo esse que se acentuou mais ainda a partir dos anos 1960.

Ref.: O LAGO que QUASE secou - Lago Úrmia Gustavo Serraiocco dez 2021

 

Efeitos ambientais e econômicos desastrosos no Mar do Aral

A quantidade de água retirada dos rios que abasteciam o mar de Aral duplicou entre 1960 e 2000, assim como a produção de algodão. Nesse período, o Uzbequistão tornou-se o 3º maior exportador de algodão do mundo, porém a um custo muito alto. Por efeito da redução do volume de água, a salinidade do lago quase quintuplicou e matou a maior parte de sua fauna e flora naturais. A outrora próspera indústria pesqueira foi praticamente destruída, assim como as cidades ao longo das margens, gerando desemprego e dificuldades econômicas, o que é muito visível pela abundância de esqueletos de navios e instalações portuárias abandonadas.

Além da redução drástica da área do Mar, as suas águas também ficaram fortemente poluídas, como resultado de testes com armamentos e projetos industriais, e o uso maciço de pesticidas e fertilizantes. As pessoas passaram a sofrer com a falta de água doce e as culturas na região foram prejudicadas pelo sal depositado sobre a terra. Além disso, o vento passou a dispersar o sal a partir do solo seco e poluído, causando danos à saúde pública.

 

Lago Urmia no Irã reproduz o desastre no Mar do Aral

O Lago Urmia, nome que em aramaico significa cidade da água, é um dos principais lagos salgados do Irã, que chegou a ser o maior lago do Oriente Médio e o 6º maior lago endorreico do Mundo, ou seja, entre os lagos que não tem conexão com o mar. Situa-se na parte noroeste do país, perto das fronteiras com o Iraque, Turquia, Azerbaijão e Armênia,  com área de 5.200 km², comprimento e largura máximos de 140 km e 55 km, mas acabou sofrendo um processo de degradação ambiental e econômica bastante semelhante ao do Mar de Aral.

A partir dos meados de 1990 começou a secar e, ao final de 2017, o lago havia encolhido para 10% de seu tamanho original devido a  fatores como secas prolongadas e persistentes no Irã, mais recentemente agravadas com o processo de aquecimento global, mas principalmente pela má gestão da água, com a construção indiscriminada de barragens para irrigação que reduziram o fluxo de água doce para o lago e ao bombeamento de água subterrânea da área circundante.

 

Má gestão da água pelo regime islâmico

A má gestão acentuou-se após a revolução islâmica de 1979, com a queda da monarquia do xá Reza Pahlavi, quando no bojo da política de alcançar a autossuficiência alimentar foi induzida a produção de alimentos básicos mediante a implantação descontrolada de sistemas de irrigação em todos os afluentes do Lago Urmia.

Apesar de esforços do governo iraniano para reverter sua quase completa secagem,  inclusive com o desvio de leitos de água para o lago, imagens recentes em 2025 mostram o lago com cores avermelhadas por microalgas devido à alta salinidade, em processo de recuperação do espelho d'água, mas ainda bastante abaixo do tamanho original, enfrentando desafios contínuos de seca e uso da água. 

 

Situação atual degradante e difícil processo de recuperação

Hoje o lago é dominado por grandes áreas de leito seco, com enorme volume de sal, que causam tempestades de poeira salgada, afetando a saúde respiratória e ocular da população local. Toda a infraestrutura instalada na época áurea do lago como espaço econômico e turístico relevantes, com resorts e embarcações que antes eram populares agora estão encalhados e enferrujados no deserto de sal, como testemunho da degradação sofrida no passado recente. Há esperança entre os habitantes locais, com a água retornando a áreas antes secas, mas a restauração completa é um processo demorado e complexo, em função de décadas de política insustentável que o Lago Urmia sofreu.

 

Lições a serem tiradas dos desastres do Mar de Aral e do Lago Urmia

A grande lição a ser tirada desses 2 desastres ambientais é que a exploração de recursos naturais deve ser feita de maneira parcimoniosa e cuidadosa,  observando e respeitando  os seus limites e as leis científicas que regem a existência e  o funcionamento deste planeta chamado Terra. 

Shoji