Cada hora a mais em frente à tela reduz em 10% o desempenho em leitura e matemática
Cada hora adicional em frente às telas
na 1ª infância reduz em 10% as chances de a criança apresentar um bom
desempenho em leitura e matemática no 3º ano do ensino fundamental e em
matemática no 6º ano. A conclusão é de um amplo estudo canadense publicado na
revista Jama Network Open, que acompanhou meninas e meninos por mais de uma
década e analisou a relação entre exposição precoce e conteúdo audiovisual e
resultados em testes padronizados
aplicados no 3º e 6º ano da escola. A pesquisa, conduzida por cientistas
da rede TARGetKids!, vinculada a centros de educação primária em Ontário, no
Canadá, incluiu 3.322 crianças do 3º ano e 2.084 do 6º ano.
A primeira infância é um período crítico
de formação de hábitos. Ou seja, padrão de uso de telas estabelecidos cedo
tendem a persistir ao longo da vida. O tempo dedicado aos eletrônicos pode
substituir atividades essenciais ao desenvolvimento cognitivo e acadêmico, como
leitura compartilhada, brincadeiras e interação social. Além da cognição, nessa
fase, a exposição a telas também pode prejudicar o desenvolvimento motor, pois
o uso excessivo de tablets e celulares reduz o tempo de brincadeiras físicas,
levando a perda de habilidades motoras. Essas habilidades são fundamentais na
infância e impactam desde tarefas simples, como escrever, até a prática de
esportes.
Em suma, o uso excessivo de telas
(celular, tablet, TV) está diretamente associado a um pior desempenho escolar, com
os seguintes principais impactos na concentração, memória e qualidade do sono:
·
Distração
e Foco: 65% dos alunos relatam que celulares atrapalham o aprendizado, com
alto risco de déficit de atenção.
·
Cognição
e Memorização: O uso excessivo pode reduzir a capacidade cognitiva,
afetando o aprendizado de longo prazo.
·
Sono
e Saúde: A luz azul das telas prejudica o sono, causando sonolência e
falta de energia na escola.
·
Miopia
e Fadiga Visual: Telas próximas por muito tempo causam desconforto visual
e riscos de problemas na visão
Para o uso salutar de dispositivos
eletrônicos, recomendam-se:
·
Limitar
telas de 1 a 2 horas por dia para crianças de 6 a 10 anos.
·
Evitar
o uso de celulares durante refeições, antes de dormir ou durante estudos.
·
Incentivar
atividades físicas, leitura, brincadeiras ao ar livre e estimular a interação
social com colegas de infância.
Restrição ao uso de celular nas escolas
púbicas e privadas
A Lei nº 15100, de
13.01.2025, passou a restringir o uso de celular nas escolas públicas e
privadas brasileiras devido aos impactos negativos no aprendizado, na
concentração, na saúde mental e na interação entre os alunos. A lei não proíbe
totalmente o uso do celular mas restringe o seu uso durante aulas, recreios e
intervalos, para que os alunos possam se concentrar nas atividades educativas e
interagir com os colegas e professores, sendo permitido para fins pedagógicos e
para casos de acessibilidade, saúde e segurança. Essa medida baseia-se em
estudos que apontam que o uso excessivo de telas podem prejudicar o desempenho
acadêmico, reduzir a interação social e aumentar índices de ansiedade e
depressão entre crianças e adolescentes. Embora essa medida possa ser
considerada controversa, teve o apoio da maior parte da população em geral e
pelo menos de 65% dos pais e crianças até 12 anos conforme pesquisa da
Datafolha de outubro/24.
Uso moderado do
celular sem abdicar de seus benefícios
Não há como deixar
de usufruir dos benefícios proporcionados pelo celular, mas o mesmo deve ser
usado moderadamente sem prejuízo à saúde física e mental e à interação social
do usuário perante o mundo real. E no caso específico da restrição nas escolas,
a efetividade dessa medida depende não somente dos alunos e professores, mas
principalmente dos pais dos alunos que devem atuar como exemplos a serem
seguidos no uso das maravilhas do mundo digital.
Shoji