Atividade cultural eleva o bem-estar e a longevidade
Ler, passear por um museu, assistir a um concerto ou se dedicar a algum
tipo de artesanato pode ter um impacto tão benéfico para a longevidade quanto
exercitar. Um estudo da Universidade College London, na Inglaterra, publicado em
11.05.2026 na revista Innovation in Aging, sugere que o engajamento
em atividades artísticas e culturais ajuda a desacelerar o envelhecimento
biológico, com efeitos comparáveis aos das atividades físicas. A pesquisa
analisou dados de 3.556 adultos participantes do UK Household Longitudinal
Study, para investigar a relação entre lazer, atividade física e os
chamados "relógios epigenéticos" — ferramentas moleculares capazes de
estimar a velocidade do envelhecimento biológico a partir de alterações
químicas no DNA, que, porém, não modificam a sequência genética.
Ref.: Estudo mostra que atividades culturais reduzem a idade biológica Jornalismo TV Cultura mai 2026
O estudo descobriu que tanto atividades físicas quanto o engajamento
frequente em artes e práticas culturais estavam associados a um ritmo mais
lento de envelhecimento celular. Entre as atividades avaliadas estão cantar,
dançar, pintar, fotografar, fazer artesanato, visitar museus, bibliotecas,
galerias de arte, monumentos históricos e participar de eventos culturais.
O impacto positivo das artes pode estar relacionado a diversos mecanismos
biológicos e psicológicos, sendo o principal a redução do estresse crônico,
reconhecido como acelerador do envelhecimento celular. Há anos, estudos mostram
que experiências artísticas reduzem níveis de cortisol, melhoram o humor e
modulam respostas inflamatórias do organismo.
Ou seja, o artigo mostra, pela 1ª vez em escala populacional, que o
envolvimento cultural pode ter impacto mensurável na biologia do envelhecimento.
Até agora, boa parte das pesquisas sobre longevidade saudável se
concentrava em fatores já conhecidos, como alimentação saudável, abandono do
cigarro, controle do peso e exercícios físicos.
Mas a mensagem que esse estudo traz é que ir a um show, aprender a tocar
um instrumento, frequentar uma exposição de arte tem um impacto biológico
comparável ao da atividade física em marcadores importantes do envelhecimento. Os
benefícios apareceram de forma consistente não apenas para a frequência das
atividades, mas também para a diversidade dela: quanto maior o número de
experiências culturais diferentes vividas pela pessoa, maior a associação com
desaceleração do envelhecimento biológico.
O estudo é observacional, ou seja, não estabelece uma relação de causa e
efeito, apenas uma relação, mas os cientistas usaram métodos estatísticos
robustos para controlar fatores que também influenciam o envelhecimento
biológico, como renda, escolaridade, estado civil, área de moradia, tabagismo,
índice de massa corporal e doenças preexistentes.
Com base na constatação de que atividades artísticas e culturais melhoram
a saúde mental, aumentam a cognição, favorecem o engajamento comunitário e a
redução do estresse fisiológico, as políticas de promoção de saúde devem também
incluir acesso à cultura, convivência social e estímulo cognitivo.
Shoji
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