Perspectiva de reduzir testes em animais por uso de inteligência artificial
Uma nova ferramenta de inteligência
artificial foi criada na Alemanha que pode reduzir significativamente o número
de animais utilizados na pesquisa pré-clínica de medicamentos. Pesquisadores da
Universidade Goethe Frankfurt e da Universidade Philipps de Marburg, em
colaboração com o Instituto Fraunhofer de Medicina Translacional e Farmacologia
(ITMP), desenvolveram um sistema
de IA generativa chamado genESOM , projetado para diminuir
o uso de animais não humanos nos testes iniciais de medicamentos, cujo estudo foi
publicado na revista Pharmacological Research.
A ferramenta é treinada em conjuntos
de dados experimentais relativamente pequenos e
gera pontos de dados sintéticos adicionais que refletem resultados de
laboratório reais de forma suficientemente próxima para serem usados no lugar
de muitos experimentos com animais vivos, podendo essa abordagem reduzir o
número de animais utilizados ao testar novos princípios ativos em 30 a 50%.
GeneSOM foi concebido
dentro de um contexto mais amplo de crescente crítica científica e ética à
experimentação com animais, bem como se tais testes efetivamente se traduzem em
resultados com humanos. Ou seja, os reguladores e o setor farmacêutico estão
cada vez mais interessados em métodos alternativos de teste, não apenas para
poupar animais, mas também para enfrentar as altas taxas de resistência em
ensaios clínicos que tornam o desenvolvimento de medicamentos mais lento e
caro. Órgãos governamentais em vários países estão começando a apoiar essa
mudança, e na Alemanha, o centro federal BfR3R, que coordena o desenvolvimento
de alternativas
aos testes com animais, está promovendo estratégias de substituições e
redução em toda a pesquisa pré-clínica. Nesse escopo, o GenESOM pode
fazer uma contribuição importante para reduzir o número de experimentos com
animais em grandes áreas da pesquisa pré-clínica de medicamentos.
No Brasil o teste com animais é
vedado para cosméticos mas não para medicamentos
No Brasil, a Lei 15.183/25 proíbe
testes em animais para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, mas ainda
é permitido o uso de animais em pesquisas de medicamentos na indústria
farmacêutica. Mais de 45 países já aderiram à proibição de testes em animais
para cosméticos, mas ainda persiste o grande desafio de estender a mesma
vedação às pesquisas farmacêuticas.
No desenvolvimento de medicamentos,
novas substâncias ativas ainda são testadas em animais, de modo que os pesquisadores
convivem com um dilema ético: ao mesmo tempo em que buscam reduzir o número de
animais utilizados, também precisam garantir amostras suficientes para produzir
resultados confiáveis e representativos na verificação da eficácia e segurança de
novos medicamentos.
Shoji