sábado, 15 de agosto de 2026

ARTE E VIDA LONGA

 Atividade cultural eleva o bem-estar e a longevidade   

Ler, passear por um museu, assistir a um concerto ou se dedicar a algum tipo de artesanato pode ter um impacto tão benéfico para a longevidade quanto exercitar. Um estudo da Universidade College London, na Inglaterra, publicado em 11.05.2026 na revista Innovation in Aging, sugere que o engajamento em atividades artísticas e culturais ajuda a desacelerar o envelhecimento biológico, com efeitos comparáveis aos das atividades físicas. A pesquisa analisou dados de 3.556 adultos participantes do UK Household Longitudinal Study, para investigar a relação entre lazer, atividade física e os chamados "relógios epigenéticos" — ferramentas moleculares capazes de estimar a velocidade do envelhecimento biológico a partir de alterações químicas no DNA, que, porém, não modificam a sequência genética.

Ref.: Estudo mostra que atividades culturais reduzem a idade biológica Jornalismo TV Cultura mai 2026 

O estudo descobriu que tanto atividades físicas quanto o engajamento frequente em artes e práticas culturais estavam associados a um ritmo mais lento de envelhecimento celular. Entre as atividades avaliadas estão cantar, dançar, pintar, fotografar, fazer artesanato, visitar museus, bibliotecas, galerias de arte, monumentos históricos e participar de eventos culturais.

O impacto positivo das artes pode estar relacionado a diversos mecanismos biológicos e psicológicos, sendo o principal a redução do estresse crônico, reconhecido como acelerador do envelhecimento celular. Há anos, estudos mostram que experiências artísticas reduzem níveis de cortisol, melhoram o humor e modulam respostas inflamatórias do organismo.

Ou seja, o artigo mostra, pela 1ª vez em escala populacional, que o envolvimento cultural pode ter impacto mensurável na biologia do envelhecimento.

 Efeitos benéficos similares aos exercícios físicos

Até agora, boa parte das pesquisas sobre longevidade saudável se concentrava em fatores já conhecidos, como alimentação saudável, abandono do cigarro, controle do peso e exercícios físicos.

Mas a mensagem que esse estudo traz é que ir a um show, aprender a tocar um instrumento, frequentar uma exposição de arte tem um impacto biológico comparável ao da atividade física em marcadores importantes do envelhecimento. Os benefícios apareceram de forma consistente não apenas para a frequência das atividades, mas também para a diversidade dela: quanto maior o número de experiências culturais diferentes vividas pela pessoa, maior a associação com desaceleração do envelhecimento biológico.

O estudo é observacional, ou seja, não estabelece uma relação de causa e efeito, apenas uma relação, mas os cientistas usaram métodos estatísticos robustos para controlar fatores que também influenciam o envelhecimento biológico, como renda, escolaridade, estado civil, área de moradia, tabagismo, índice de massa corporal e doenças preexistentes.

 Políticas públicas de saúde devem envolver atividades artísticas e culturais

Com base na constatação de que atividades artísticas e culturais melhoram a saúde mental, aumentam a cognição, favorecem o engajamento comunitário e a redução do estresse fisiológico, as políticas de promoção de saúde devem também incluir acesso à cultura, convivência social e estímulo cognitivo.

Shoji

 

sábado, 8 de agosto de 2026

IA POUPA ANIMAIS EM LABORATÓRIO

 Perspectiva de reduzir testes em animais por uso de inteligência artificial

Uma nova ferramenta de inteligência artificial foi criada na Alemanha que pode reduzir significativamente o número de animais utilizados na pesquisa pré-clínica de medicamentos. Pesquisadores da Universidade Goethe Frankfurt e da Universidade Philipps de Marburg, em colaboração com o Instituto Fraunhofer de Medicina Translacional e Farmacologia (ITMP), desenvolveram um sistema de IA generativa chamado genESOM , projetado para diminuir o uso de animais não humanos nos testes iniciais de medicamentos, cujo estudo foi publicado na revista Pharmacological Research.


Ref.: Cosméticos e perfumes: governo proíbe uso de animais em testes Jornalismo RIT TV HD jul 2023


A ferramenta é treinada em conjuntos de dados experimentais relativamente pequenos e  gera pontos de dados sintéticos adicionais que refletem resultados de laboratório reais de forma suficientemente próxima para serem usados ​​no lugar de muitos experimentos com animais vivos, podendo essa abordagem reduzir o número de animais utilizados ao testar novos princípios ativos em 30 a 50%.

GeneSOM foi concebido dentro de um contexto mais amplo de crescente crítica científica e ética à experimentação com animais, bem como se tais testes efetivamente se traduzem em resultados com humanos. Ou seja, os reguladores e o setor farmacêutico estão cada vez mais interessados ​​em métodos alternativos de teste, não apenas para poupar animais, mas também para enfrentar as altas taxas de resistência em ensaios clínicos que tornam o desenvolvimento de medicamentos mais lento e caro. Órgãos governamentais em vários países estão começando a apoiar essa mudança, e na Alemanha, o centro federal BfR3R, que coordena o desenvolvimento de alternativas aos testes com animais, está promovendo estratégias de substituições e redução em toda a pesquisa pré-clínica. Nesse escopo, o GenESOM pode fazer uma contribuição importante para reduzir o número de experimentos com animais em grandes áreas da pesquisa pré-clínica de medicamentos.

 

No Brasil o teste com animais é vedado para cosméticos mas não para medicamentos

No Brasil, a Lei 15.183/25 proíbe testes em animais para produtos de higiene pessoal, cosméticos e perfumes, mas ainda é permitido o uso de animais em pesquisas de medicamentos na indústria farmacêutica. Mais de 45 países já aderiram à proibição de testes em animais para cosméticos, mas ainda persiste o grande desafio de estender a mesma vedação às pesquisas farmacêuticas.

No desenvolvimento de medicamentos, novas substâncias ativas ainda são testadas em animais, de modo que os pesquisadores convivem com um dilema ético: ao mesmo tempo em que buscam reduzir o número de animais utilizados, também precisam garantir amostras suficientes para produzir resultados confiáveis e representativos na verificação da eficácia e segurança de novos medicamentos.

Shoji