sábado, 7 de junho de 2025

O LEGADO DO FOTÓGRAFO SEBASTIÃO SALGADO

 O seu notável trabalho de retratar o drama da humanidade foi reconhecido mundialmente 

Sebastião Salgado foi um fotógrafo documental e fotojornalista brasileiro que deixou este mundo em 23.05.2025 aos 81 anos com notável legado em fotografias dramáticas e em projetos sociais, culturais e ambientais. Trabalhando inteiramente com fotos em preto e branco, o respeito de Sebastião Salgado pelo seu objeto de trabalho e sua determinação em mostrar o significado mais amplo do que estava acontecendo com essas pessoas criou um conjunto de imagens que testemunham a dignidade fundamental de toda a humanidade ao mesmo tempo que protestam contra a violação dessa dignidade por meio da guerrapobreza e outras injustiças sociais.

 

Ref.: Confira o legado do fotógrafo Sebastião Salgado | Jornal da Noite Band Jornalismo 24.05.2025

Seu notável trabalho foi reconhecido mundialmente

Salgado viajou por mais de 120 países para seus projetos fotográficos. A maioria deles apareceu em inúmeras publicações de imprensa e livros e exposições itinerantes de seu trabalho foram apresentadas em todo o mundo. Sebastião Salgado teve reconhecimento mundial e recebeu praticamente todos os principais prêmios de fotografia do mundo por seu trabalho. Fundou em 1994 a sua própria agência de notícias, As Imagens da Amazônia, que representa o fotógrafo e seu trabalho. Salgado foi Embaixador da Boa Vontade da UNICEF. Ele recebeu o W. Eugene Smith Memorial Fund em 1982, foi membro honorário estrangeiro da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos desde 1992 e recebeu a Medalha do Centenário e Bolsa Honorária da Royal Photographic Society (HonFRPS) em 1993. Foi também membro da Academia de Belas-Artes da França  sendo o primeiro brasileiro a integrar o rol de imortais dessa instituição.

Seu filho, o cineasta Juliano dirigiu, juntamente com o também fotógrafo Wim Wenders, o documentário O Sal da Terra, sobre o trabalho de seu pai. que foi indicado ao Oscar 2015 de melhor documentário.

 Instituto Terra para restauração florestal

Com sua esposa, a pianista Lélia Wanick Salgado, fundou em abril de 1998 o Instituto Terra, uma organização civil sem fins lucrativos. Esse projeto foi motivado como resposta ao cenário de degradação ambiental em que se encontrava a antiga fazenda de gado da família de Sebastião Salgado, localizada no município mineiro de Aimorés, na bacia hidrográfica do Rio Doce, com o fim de devolver à natureza o que foi destruído pela ação predatória humana.

O primeiro passo foi transformar a área da então fazenda de pecuária em uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Fazenda Bulcão, tendo o título sido obtido de maneira inédita no Brasil em outubro/1998, por uma propriedade degradada, diante do compromisso de vir a ser reflorestada.

No âmbito da ação do Instituto Terra, são desenvolvidos projetos que vão desde a restauração florestal, produção de mudas nativas, proteção de nascentes, educação ambiental e até a pesquisa científica aplicada, com o apoio financeiro de diferentes parceiros, tanto das esferas pública e privada, bem como de fundações e doadores de vários países e de outras instituições do Terceiro Setor.

Para dar suporte à restauração florestal, o Instituto Terra desenvolve mudas nativas desde 2001, com capacidade para produzir 1 milhão de mudas por ano, não somente para o plantio interno na RPPN Fazenda Bulcão como também para atender a outros projetos na região. Para tanto, faz-se a coleta de sementes de mais de 290 espécies da Mata Atlântica no raio de 200 quilômetros ao redor da RPPN.

Assim, além da recomposição do solo e o restabelecimento da cobertura vegetal da RPPN Fazenda Bulcão como em outras propriedades, também está sendo promovido o resgate dos recursos hídricos, ou seja, a recuperação das nascentes de água, bem como do retorno da vida animal, de modo que muitas espécies que estavam desaparecendo estão encontrando refúgio seguro no Instituto Terra.

Shoji

 

 

sábado, 24 de maio de 2025

A INTERMINÁVEL INVASÃO RUSSA DA UCRÂNIA

 O maior conflito na Europa desde a II Guerra Mundial está longe de solução definitiva

Na manhã de 24.02.2022, 5ª feira, o Mundo assistiu estupefato e aterrorizado o início da agressão da Rússia, liderada pelo governo de Vladimir Putin, contra a Ucrânia, configurando o maior conflito militar na Europa desde a deflagração da 2ª Guerra Mundial há 86 anos. Desde então esse conflito causa angústia ao mundo pois o ataque russo contra a Ucrânia era considerado possível, mas improvável, considerando-se o porte da Ucrânia, que detém o maior território da Europa, exclusive a Rússia, com 604 mil km2 e substancial população de 44 milhões de habitantes.

A invasão russa, por si só deplorável, caracteriza-se como ato inaceitável pela franca imoralidade de uma nação mais poderosa avançar sobre outra mais fraca militarmente, sem justificativa plausível ou razoável, a não ser pelo inconfessável propósito de dominar ou impor um governo submisso em um território vizinho importante visando seus interesses geopolíticos e econômicos.

 

Ref.: Cúpula pan-europeia cria bases para processar líderes russos pela invasão da Ucrânia | AFP AFP Português maio 2023

Perdas humanas e materiais insanas causadas pela invasão

Desde 2022 o conflito causou danos em vidas humanas e perdas materiais e econômicos difíceis de serem mensurados com exatidão, com dezenas de milhares de mortes e feridos militares e também entre a população civil, sendo esta a maior vítima dessa guerra, com milhões de pessoas obrigadas a deixar suas casas e o convívio com seus entes queridos para se refugiar em outras localidades, inclusive no exterior, incluindo 7 milhões de pessoas refugiadas em países europeus.

 Conflito longe de uma solução definitiva

O pior para a população ucraniana é que a solução definitiva para o conflito está longe de ser alcançada pois mesmo para o cessar fogo as condições impostas pelo governo russo são considerados excessivamente duras para o governo ucraniano, entre as quais se incluem a retirada das forças ucranianas das 4 regiões que a Rússia pretende anexar, que representam quase 20% do território ucraniano, e o compromisso da Ucrania de não aderir à OTAN, o que manteria a Ucrania em situação de fragilidade de forma permanente frente à ameaça russa.

 Desejo da Ucrânia à autonomia e independência

Essas condições em princípio podem ser consideradas inaceitáveis por atentar frontalmente ao anseio do povo ucraniano pela manutenção da independência plena da Ucrânia em todos os sentidos, o qual está presente há longa data na história ucraniana. Como se sabe, em perspectiva história, o colapso do Império Russo e do Império Austro-Húngaro após a I Guerra Mundial bem como a Revolução Russa de 1917 permitiram o ressurgimento do movimento nacional ucraniano em prol da autodeterminação e da criação efetiva de um país independente, mas esse anseio foi frustrado com a incorporação da Ucrânia à URSS em 1922. O surgimento da Ucrânia soberana e independente somente viria a se concretizar com o colapso da URSS em 1991. Desde então, o povo ucraniano tem manifestado seu desejo de aderir ao modelo político baseada na plena democracia, com eleições livres, e adesão futura à União Européia e a aliança militar ocidental, a OTAN, no sentido de preservar a sua segurança frente à qualquer ameaça externa de natureza militar. Entretanto, esse movimento tem contrariado cada vez mais o governo autocrático russo liderado por Vladimir Putin, o que, em uma última análise, levou à anexação pela Rússia da Criméia em 2014 e à invasão russa em 2022.  

Shoji

 

sábado, 17 de maio de 2025

IRSHAD MANJI UMA MUÇULMANA PELA REFORMA DO ISLÃ

 Muçulmana lésbica pela liberação dos direitos da mulher

Irshad Manji é muçulmana, naturalizada canadense, ativista LBGT, escritora, jornalista e apresentadora de televisão, defensora de uma interpretação reformista do islamismo e uma crítica das interpretações literalistas do Alcorão. Irshad nasceu em 1968 perto de Kampala na Uganda, com descendências indiana por parte do pai e egípcia da mãe. Por ordem de expulsão decretada por Idi Amin Dada de asiáticos e outros não africanos de Uganda, sua família refugiou-se em 1972 no Canadá em Richmond, perto de Vancouver. Irshad frequentou escolas públicas seculares e aos sábados uma madrassa (escola religiosa muçulmana) de onde foi expulsa aos 14 anos de idade por fazer muitos questionamentos. Em 1990, graduou-se com honras em história das idéias pela Universidade da Columbia Britânica recebendo a medalha acadêmica do Governador Geral como a melhor graduada em humanidades.

 

Ref.: Irshad Manji Md Monirul Islam maio 2018

Signatária do Manifesto Juntos contra o Totalitarismo

Irshad destaca-se como uma dos 12 signatários do Manifesto Juntos contra  o Totalitarismo, que é um documento político feito em resposta à violência desencadeada no mundo islâmico pela polêmica das caricaturas sobre Maomé publicadas pela 1ª vez no jornal dinamarquês Jyllands-Posten. Os signatários desse manifesto têm em comum uma vida de exílio devido a perseguições promovidas por fanáticos religiosos islâmicos, destacando-se entre os alvos Salman Rushdie escritor condenado a morte por uma fatwa do aiatolá Khomeini de 1989.

Segundo Manifesto, publicado em  28.02.2006 pelo Jyllands-Posten e pelo semanário satírico francês Charlie Hebdo, similarmente aos totalitarismos como fascismo, nazismo e stalinismo, o Islamismo fundamentalista estabelece-se sobre medos e frustrações. Os pregadores do ódio apostam nesses sentimentos para formar batalhões destinados a impor um mundo de opressão e desigualdades. Contudo, para os signatários: não existe nada, nem mesmo o desespero, que possa justificar a escolha do obscurantismo, do totalitarismo e do ódio. O Islamismo fundamentalista é uma ideologia reacionária que aniquila a igualdade, a liberdade e a laicidade sempre que as encontra. O seu êxito só pode conduzir a um mundo de dominação: domínio do homem sobre a mulher, domínio dos islamistas sobre os demais. Para se opor a esse processo, deve-se assegurar direitos universais a todos os povos discriminados ou oprimidos

 Trajetória similar a de Ayaan Hirsi Ali

Pela sua luta contra o totalitarismo islâmico pelas violações dos direitos humanos contra as mulheres e minorias religiosas, a trajetória da Irshad Manji tem muita similaridade com a da Ayaan Hirsi Ali. Como se sabe, Ayaan nascida em 1969 em Somália é uma ativista, escritora, política e cristã somali-holandesa-americana, que é conhecida por seus pontos de vista críticos do Islã e defesa dos direitos e da autodeterminação das mulheres muçulmanas, opondo-se aos casamentos forçadoscrimes de "honra"casamentos infantis, e mutilação genital feminina, sendo uma das fundadoras da organização de defesa dos direitos das mulheres AHA Foundation.

Assim, a luta tanto da Irshad Manji como da Ayaan Hirsi Ali  centram especialmente na importância de que milhões de mulheres e crianças em países de maioria muçulmana possam receber uma educação de qualidade e oportunidades na vida, que os capacitem a entender e a participar ativamente da evolução humana que se encontra no limiar do século XXI, caracterizado para ser a era do conhecimento e pelo desenvolvimento científico e tecnológico de proporções inimagináveis.

Shoji

sábado, 3 de maio de 2025

ESCOLAS SEM CELULAR

Uso excessivo de celular é prejudicial à saúde mental e no aprendizado dos alunos

A Lei nº 15100, de 13.01.2025, passou a restringir o uso de celular nas escolas públicas e privadas devido aos impactos negativos no aprendizado, na concentração, na saúde mental e na interação entre os alunos. A lei não proíbe totalmente o uso do celular mas restringe o seu uso durante aulas, recreios e intervalos, para que os alunos possam se concentrar nas atividades educativas e interagir com os colegas e professores, sendo permitido para fins pedagógicos e para casos de acessibilidade, saúde e segurança. Essa medida baseia-se em estudos que apontam que o uso excessivo de telas podem prejudicar o desempenho acadêmico, reduzir a interação social e aumentar índices de ansiedade e depressão entre crianças e adolescentes. Embora essa medida possa ser considerada controversa, tem o apoio da maior parte da população em geral e pelo menos de 65% dos pais e crianças até 12 anos conforme pesquisa da Datafolha de outubro/24.

O prejuízo à interação social é bastante notório pois é cada vez mais presente no cotidiano das pessoas, como entre casais, filhos e irmãos que mal interagem entre si no dia a dia, cada um restrito ao seu mundo digital; vizinhos que mal se cumprimentam nos espaços públicos e até nos elevadores cada um com olhos fixos aos seus celulares; familiares e amigos em mesas de restaurante ou em outros espaços de convívio, sem interação, cada um também restrito às telas digitais, etc.

 

Ref.: Drenagem cerebral: celular em excesso é prejudicial | Jornal da Band Band Jornalismo maio 24

 

Comodidades e benefícios proporcionados pelo celular

Não há dúvidas quanto aos inúmeros benefícios associados ao celular na era da tecnologia e das mídias sociais, conectado à internet, como facilitar a comunicação instantânea, facilitar o trabalho home office em qualquer local, fazer compras, assistir filmes, ouvir música, etc.

Ao mesmo tempo que o celular proporciona diversas vantagens, o seu uso excessivo tem levado a comportamentos indicativos da dependência digital, como irritação em situação de offline, incapacidade de reduzir o seu uso, perda da noção de tempo, adiamento das tarefas, além do isolamento social, levando ao gradativo incômodo e até incapacidade em manter relacionamento no mundo real. Assim, o uso excessivo de celular está relacionado a problemas como estímulo à inatividade física,  ansiedade, transtornos de sono, depressão, diminuição da capacidade de concentração, dificultando a manutenção do foco com prejuízo ao desempenho escolar e no trabalho.

 

Uso moderado do celular sem abdicar de seus benefícios

Não há como deixar de usufruir dos benefícios proporcionados pelo celular, mas o mesmo deve ser usado moderadamente sem prejuízo à saúde física e mental e à interação social do usuário perante o mundo real. E no caso específico da restrição nas escolas, a efetividade dessa medida depende não somente dos alunos e professores, mas principalmente dos pais dos alunos que devem atuar como exemplos a serem seguidos no uso das maravilhas do mundo digital. 

Shoji