sábado, 30 de março de 2024

JUDICIÁRIO BRASILEIRO ONEROSO E INEFICIENTE

 O abuso dos superpenduricalhos pode ser eliminado pela aprovação do PLS 6726/2021 no Senado

É notório que o sistema judiciário brasileiro é moroso, burocrático, complexo, pouco acessível à população, ou seja, tem baixa efetividade mas com elevado custo à sociedade. Segundo levantamento feito pela STN, do Ministério da Fazenda, divulgado em 24.01.2024, as despesas do sistema judiciário brasileiro incluindo os ministérios públicos alcançaram em 2022 1,6% do PIB, o mais elevado entre os 56 países analisados, muito acima da média mundial de 0,37% em 2021, de 0,5% dos países em desenvolvimento e de 0,3% daqueles mais avançados. A maior parte das despesas é concentrada em salários e benefícios e pouco em melhorias e investimentos para tornar a justiça mais rápida, eficiente e menos onerosa.

 

Supersalários custam quase R$ 4 bi ao ano | Jornal da Band Band Jornalismo ago 2023

Penduricalhos elevam a remuneração acima do teto constitucional

A elite do serviço público constituído pelos juízes, procuradores e promotores ultrapassam o teto remuneratório constitucional do funcionalismo público, atualmente  de R$ 44.008,52 mensais nos termos da Constituição Federal art.37, XI, correspondente ao salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mediante o recebimento de diversos auxílios, gratificações, verbas, ajudas de custo, que podem chegar ao total de 32, muitos dos quais não estão sujeitos ao limite do teto e nem à cobrança do Imposto de Renda (IR). Entre os auxílios destacam-se:  moradia, alimentação, transporte, plano de saúde, adoção, creche, cursos, educação, doença, funeral, mudança, natalidade, livros e informática, etc., que em 2015 elevavam a média de rendimentos totais de juízes e desembargadores nos Estados (quando o teto remuneratório era de R$ 33.763), a R$ 41.802 mensais, correspondendo a 23 vezes o rendimento médio do trabalhador no Brasil. E esse quadro pouco se alterou ao contrário agravando-se de modo geral.

 Gastos substanciais com a elite do serviço público

Esse descalabro da elite do serviço público ao País é demonstrado cabalmente pelo estudo do Centro de Liderança Pública com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), de 2022, do IBGE, conforme artigo do Jornal ESP (“Estadão”), de 17.07.2023, pg. B1, segundo o qual a casta dos servidores públicos que ganha acima do teto do funcionalismo (de R$ 44.008,52 mensais em 2024), custa R$ 3,9 bilhões aos governos federal, estaduais e municipais, sendo R$ 2,54 bilhões aos Estados, R$ 900 milhões a União e R$ 440 milhões aos municípios. Em 2022, 25,3 mil faziam parte desse grupo seleto, representando 0,23% dos servidores estatutários. Além de se caracterizar por privilégio indevido, pelo fato desses supersalários superar não somente o teto constitucional mas em muito a média salarial do serviço público e mais ainda em relação à renda média do trabalhador brasileiro, o montante de R$ 3,9 bilhões representa um valor considerável, por superar por exemplo o orçamento de 2023 de um órgão importante como o do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, de R$ 3,5 bilhões, mas principalmente ao se considerar o quadro fiscal fragilíssimo do Brasil nas esferas federal, estadual e municipal, com necessidade de fazer frente aos gastos essenciais crescentes, inclusive previdenciários, sem correspondência nas receitas públicas e com dívida pública crescente, no limiar de atingir limites catastróficos.

 Projeto de Lei que elimina os abusos está parado no Senado desde julho/2021

Toda essa gastança com superbenefícios à elite do serviço público teria um fim e permitiria enorme redução de gastos públicos caso o PLS 6726/2016 já aprovado na Câmara dos Deputados em 17.07.2021 tivesse sido aprovado também pelo Senado Federal, onde está parado. São tantos os benefícios pagos aos servidores que o referido PLS lista somente o que é permitido e impõe limites sobre aqueles permitidos, abordagem que é muito mais eficaz do que listar os benefícios que se procura eliminar ou limitar.

Shoji

sábado, 16 de março de 2024

O FIM DA SUPERPOPULAÇÃO

 O fim da explosão demográfica favorece a preservação dos recursos naturais do Planeta

Em 1972 o livro “Os limites do crescimento” produzido pelo chamado Clube de Roma, usando dados históricos e modelos matemáticos, demonstrava que o forte crescimento da população, além de aumentar as emissões de CO2 e esquentar a atmosfera, poderia acarretar em outras consequências catastróficas como o esgotamento dos recursos naturais. E apresentava 2 possíveis soluções: ou a humanidade diminuía voluntariamente seu ritmo de crescimento ou o próprio planeta faria isso reduzindo a população por meio do colapso ambiental. Mas as advertências desse livro não foram ouvidas, pois a população mundial que em 1972 era de 3,8 bilhões mais do que dobrou desde então atingindo em novembro de 2022 a marca de 8 bilhões.

a) População da Terra vai despencar Olhar Digital abril 2023

b) Crescimento da população está caindo acima do esperado | BandNews TV Band Jornalismo ago 2023

Hoje, o aquecimento global e outros problemas ambientais são temas dominantes e urgentes no âmbito global. Entretanto, em função de diversos fatores estruturais, a taxa de natalidade vem se reduzindo mais sensivelmente a partir de meados da década de 1960. Entre esses fatores destacam-se o acesso à educação de forma geral, a crescente migração das pessoas do meio rural para o urbano, com a consequente aumento da taxa de urbanização, o maior acesso das mulheres ao mercado de trabalho, a melhoria dos programas de saúde, a implementação do planejamento familiar e a maior facilidade de acesso aos métodos contraceptivos. Com isso, atualmente 124 países estão com taxa de natalidade inferior a 2,1 filhos por mulher, sendo esse índice chamado de “taxa de reposição”, que, segundo a ONU, é a necessária para manter a população estável. Ou seja, o crescimento população da maioria dos países, incluindo alguns dos mais populosos, situam-se abaixo da taxa de reposição.   Na Índia, que a partir de maio/2023 passou a ser o país mais populoso do mundo, a taxa de natalidade era de 2,05 em 2020, enquanto na China era de 1,28. No Brasil era de 1,62, em 2023, de modo que, segundo o IPEA, a população brasileira alcançaria o seu pico em 2045, com 230 milhões, passando a declinar a 180 milhões em 2100.  A África é o único continente em que predomina a ameaça da explosão demográfica. Embora seja difícil fazer uma previsão clara sobre o crescimento populacional no futuro, várias estimativas na média mostram que a população mundial alcançaria em torno de 8,6 bilhões em 2050, passando a declinar até em torno de 7 bilhões em 2100.

Impactos dramáticos sobre a economia

A redução do crescimento populacional terá série de efeitos difíceis de serem previstos com exatidão, mas com menos gente nascendo, a idade média da população irá aumentar e haverá menos trabalhadores para produzir e contribuir para a previdência social e pagar as aposentadorias dos idosos. No futuro, a menor oferta de fator trabalho poderia ser compensada pelo aumento da produtividade decorrente da maior capacitação e pelo uso de sistemas produtivos cada vez mais automatizados e baseados em inteligência artificial e tecnologias inovadoras. Quanto à aposentadoria dos mais idosos, o modelo atualmente predominante de repartição, em que a contribuição corrente paga as pensões dos aposentados, deve dar lugar ao modelo de capitalização, em que cada beneficiário contribui e acumula os recursos em contas individuais capitalizadas, as quais seriam sacadas por cada um por ocasião da aposentadoria.

 Efeito benefíco sobre a sustentabilidade ambiental

Do ponto de vista da sustentabilidade do Planeta, entretanto, a redução do crescimento populacional acarretará em menor pressão no uso dos recursos naturais em todos os sentidos, como terra, água, energia, alimentos, o que pode contribuir decisivamente para melhorar a perspectiva futura de que os recursos naturais serão suficientes para sustentar a vida das futuras gerações. Portanto, o afastamento da ameaça da explosão demográfica em escala mundial deve ser encarado como um dos pilares favoráveis à continuidade da vida humana e animal neste planeta.   

Shoji

sábado, 24 de fevereiro de 2024

USO DE DRONES PARA REFLORESTAMENTO

 Drone permite maior rapidez com menor custo principalmente em locais de difícil acesso  

Em 27.09.2015, o Brasil apresentou na Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável a sua contribuição para a 21ª Conferência do Clima da ONU (COP21), realizada em Paris entre 30 de novembro e 11 de dezembro/2015, com o principal objetivo de cooptar o esforço mundial de 195 nações para conter o aquecimento do planeta em até 2º C até o fim deste século, em relação aos níveis pré-industriais, e assim evitar as mudanças climáticas catastróficas para a Terra.

Entre os 5 principais compromissos, o Brasil assumiu aquele de recuperar 12 milhões de hectares de florestas, equivalente a 120 mil km2 (área da Inglaterra) até 2030, o qual foi considerado um dos mais ambiciosos apresentados pelos países signatários da Convenção sobre Mudanças Climáticas. 

O alcance da desafiadora meta de reflorestamento até 2030 exigirá esforço substantivo e persistente em termos de requerimentos humanos, materiais, tecnológicos e financeiros de grandes dimensões, que deve ser implantado concretamente e não ficar somente no discurso. Um grande aliado nesse esforço será o uso de novas tecnologias, entre as quais já se destaca a semeadura por meio de drones.

 

a) Drones voam no Rio de Janeiro em um esforço de reflorestamento de alta tecnologia | Reuters MORFO Brasil jan-2024

b) Uma startup francesa adaptou drones para distribuir sementes em projetos de reflorestamento BOLETIM DIARIO fev-2023

Uso de drones para recuperação de encostas da Serra do Mar

Um exemplo dessa nova realidade é o projeto de restauração dos danos causados pelas intensas chuvas em 2023 na região de São Sebastião no Estado de SP, coordenado pelo Instituto Conservação Costeira (ICC) em articulação com a Fundação Florestal do Estado de SP, que abriu uma chamada pública para restauração dessas áreas, que teve como vencedora a multinacional Ambipar Group. A 1ª fase desse projeto foi concluída no início de 2024 com a semeadura de 20 espécies nativas em 9,6 hectares com o plantio de 58 kg de sementes.

 As vantagens do uso de drones

A escolha da semeadura por drones se fez principalmente em função da alta declividade do terreno nas encostas da Serra do Mar, bem como de outras dificuldades como a perda de nutrientes pelo solo, a salinidade e os ventos. Além disso, o uso de drones permite um ganho de escala e redução de custo, bem como evita o impacto que seria decorrente do acesso terrestre aos locais de plantio, além de dispensar a custosa manutenção de viveiros. Os drones, já usados em atividades agrícolas, foram adaptados para a tarefa de despejar as sementes em quantidade, altura e localidades exatas, mediante cálculos feitos com auxilio da inteligência artificial. Para a aumentar a taxa de germinação das sementes, estas são revestidas de carbono líquido e colocadas em bio cápsulas feitas a partir de colágenos da indústria farmacêutica, juntamente com o adubo orgânico.

Refloresta Rio

Outro projeto que passa a usar a semeadura por drones é o Refloresta Rio, programa de reflorestamento da prefeitura do Rio de Janeiro. As ações com drones envolvem o mapeamento e a digitalização do território do RJ, o estudo da área a ser reflorestada e o acompanhamento das áreas plantadas, para garantir que o reflorestamento seja efetivo. O projeto-piloto de plantio por drone foi iniciado em 2024 na Floresta da Posse em Campo Grande na zona oeste do RJ, usando somente espécies nativas da Mata Atlântica e contando com a parceria com a start up franco-brasileira Morfo.

Shoji

sábado, 17 de fevereiro de 2024

FIM DO CONSUMO DE CARNE DE CACHORRO NA CORÉIA

 O mundo comemora a decisão histórica a favor dos melhores amigos do ser humano

Em um mundo em que os animais ainda sofrem tratamento desumano e violento, uma notícia alvissareira pode ser celebrada. Trata-se da aprovação pelo parlamento da Coréia do Sul em 09.01.2024 de uma lei, com expressiva votação favorável de 208 a zero, que proíbe a criação para abate, distribuição ou venda de cães para consumo humano a partir de 2027. O não cumprimento dessa lei pode acarretar em pena de prisão de 2 a 3 anos e multa equivalente a R$ 100 mil. Ao mesmo tempo, a lei oferece assistência e compensações aos criadores e pessoas ligadas ao setor para fecharem seus negócios ou adotarem novas opções de atividades.  Na prática, decreta-se o fim do consumo da carne canina na Coréia do Sul, apreciada tradicionalmente como iguaria, exemplo esse que deve ser adotado em outros locais onde ainda prevalece o consumo desse tipo der carne.

Ref.: Parlamento coreano proíbe carne  de cachorro AFP português 15.02.2024

Ou seja, os cachorros, considerados os melhores e mais dedicados amigos do ser humano, terão um grande alívio pelo menos naquele país asiático e mesmo em outros locais onde ainda existe o hábito do consumo da carne canina. Esse setor econômico ainda tem alguma significância naquele país, pois segundo a agência estatal Yonhap, existem cerca de 1.150 fazendas, que criam em torno de 500 mil cães, com 219 distribuidores e 1600 restaurantes, que vendem e servem carne de cachorro, mas que terão que se adaptar aos novos tempos.

Esses criadores estão revoltados e até farão tentativas para derrubada da vigência dessa legislação mas dificilmente terão sucesso principalmente pelo fato dessa proibição ter um amplo apoio popular na Coréia do Sul, onde a maioria da população não come mais carne de cachorro, sendo esse hábito ainda existente entre pessoas mais idosas, como fundamentado em uma pesquisa segundo a qual 90% dos entrevistados não comeram carne no ano anterior bem como não pretendem mais consumir isso no futuro.

Essa decisão histórica na Coréia do Sul configura não somente um alívio aos nossos amigos caninos como também uma importante conquista às pessoas e entidades que trabalham pelo melhor tratamento não somente aos cães como aos animais de forma geral, muitos dos quais se encontram até sob a ameaça de extinção.

Enfim, no momento em que se torna mais clara a importância do respeito ao meio ambiente e à natureza que suprem a sobrevivência da humanidade, questiona-se cada vez mais a necessidade da mudança efetiva no relacionamento do ser humano com o reino animal, doméstico e selvagem. 

Shoji