O drama de Marzieh Hamidi que deixou o Afeganistão para escapar da opressão do Taleban
Marzieh Hamidi
nasceu no Irã em 2002, filha de exilados afegãos da etnia tajique, e
passou a infância entre o Irã e o Afeganistão. Quando tinha 12 anos, sua
família decidiu mudar se do Irã para a Alemanha, mas na fronteira com a Turquia,
a polícia iraniana os prendeu e os deportou para Herat a oeste do
Afeganistão. No dia seguinte, por se sentirem inseguros em Herat decidiram se
mudar para Cabul
capital e maior cidade afegã.
Ref.: Freedom in frames:
photographing an Afghan refugee's Olympic dream • RFI English set 2024
Hamidi foi
apresentada ao taekwondo por uma amiga iraniana para sair do tédio, já que não
podia frequentar a escola por ser uma imigrante ilegal no Irã. Após retornar ao
Afeganistão em 2019, ela participou de campeonatos de taekwondo e ganhou o
título nacional diversas vezes em sua categoria.
Após a
retirada das tropas americanas decretada pelo presidente Joe Biden em
julho/2021, encerrando 20 anos de intervenção militar americano no país, o
grupo Taleban voltou ao poder em agosto/2021 levando pavor à população local e
obrigando parte dela a refugiar-se emergencialmente em outros países. Sob o
regime taleban, Marzieh na condição de mulher passou sob diversas restrições em
sua vida cotidiana como a obrigação de usar burca ao sair de casa. Participou
de protestos de mulheres nas ruas e viu homens do Taleban espancando as
manifestantes, mas Marzieh nunca foi pega por ser atleta e correr muito rápido.
Fuga da
opressão do Taleban
Para garantir
seu futuro no esporte e escapar da crescente repressão, foi obrigada a fugir em
novembro/2021, uma viagem que se tornou possível graças ao apoio da revista Elle.
Reconstruindo sua vida na França, voltou ao treinamento de taekwondo sendo o
seu sonho o de participar das Olimpíadas 2028.
Sua voz,
incisiva e corajosa, a tornou um símbolo de resistência contra a opressão às
mulheres. Sua força e integridade chamaram a atenção internacional com
reportagens em veículos de comunicação como Vanity Fair, Le Figaro, L'Équipe e
CNN. Pela sua atuação como defensora dos direitos das mulheres no Afeganistão,
Marzieh recebeu o Prêmio Internacional dos Direitos das Mulheres na 18ª Cúpula
Anual de Genebra sobre Direitos Humanos e Democracia em fevereiro/2026.
Desde setembro
de 2024, na França, Marzieh vive sob proteção policial 24 horas por dia, 7 dias
por semana, devido a ameaças explícitas de morte e estupro, feitas online e por
telefone, diretamente ligadas à sua postura.
Luta pela
liberdade e melhoria da condição feminina
Exilada,
atleta de elite de taekwondo e defensora dos direitos humanos, Marzieh Hamidi
tornou-se uma das vozes que denunciam a realidade vivida por mulheres e meninas
sob o regime do Taleban no Afeganistão. Sua trajetória revela como a coragem
pode assumir diferentes formas: no tatame, na palavra, no exílio e na decisão
de continuar lutando mesmo quando falar pode representar um risco.
Shoji