sábado, 3 de outubro de 2026

CAMPEÃ DO TAEKWONDO FUGINDO DO TALEBAN

 O drama de Marzieh Hamidi que deixou o Afeganistão para escapar da opressão do Taleban

Marzieh Hamidi nasceu no Irã em 2002, filha de exilados afegãos da etnia tajique, e passou a infância entre o Irã e o Afeganistão. Quando tinha 12 anos, sua família decidiu mudar se do Irã para a Alemanha, mas na fronteira com a Turquia, a polícia iraniana os prendeu e os deportou para Herat a oeste do Afeganistão. No dia seguinte, por se sentirem inseguros em Herat decidiram se mudar para Cabul capital e maior cidade afegã.

Ref.: Freedom in frames: photographing an Afghan refugee's Olympic dream • RFI English set 2024

 


 Início e dedicação ao taekwondo

Hamidi foi apresentada ao taekwondo por uma amiga iraniana para sair do tédio, já que não podia frequentar a escola por ser uma imigrante ilegal no Irã. Após retornar ao Afeganistão em 2019, ela participou de campeonatos de taekwondo e ganhou o título nacional diversas vezes em sua categoria.

Após a retirada das tropas americanas decretada pelo presidente Joe Biden em julho/2021, encerrando 20 anos de intervenção militar americano no país, o grupo Taleban voltou ao poder em agosto/2021 levando pavor à população local e obrigando parte dela a refugiar-se emergencialmente em outros países. Sob o regime taleban, Marzieh na condição de mulher passou sob diversas restrições em sua vida cotidiana como a obrigação de usar burca ao sair de casa. Participou de protestos de mulheres nas ruas e viu homens do Taleban espancando as manifestantes, mas Marzieh nunca foi pega por ser atleta e correr muito rápido.

 

Fuga da opressão do Taleban

Para garantir seu futuro no esporte e escapar da crescente repressão, foi obrigada a fugir em novembro/2021, uma viagem que se tornou possível graças ao apoio da revista Elle. Reconstruindo sua vida na França, voltou ao treinamento de taekwondo sendo o seu sonho o de participar das Olimpíadas 2028.

Sua voz, incisiva e corajosa, a tornou um símbolo de resistência contra a opressão às mulheres. Sua força e integridade chamaram a atenção internacional com reportagens em veículos de comunicação como Vanity Fair, Le Figaro, L'Équipe e CNN. Pela sua atuação como defensora dos direitos das mulheres no Afeganistão, Marzieh recebeu o Prêmio Internacional dos Direitos das Mulheres na 18ª Cúpula Anual de Genebra sobre Direitos Humanos e Democracia em fevereiro/2026.

Desde setembro de 2024, na França, Marzieh vive sob proteção policial 24 horas por dia, 7 dias por semana, devido a ameaças explícitas de morte e estupro, feitas online e por telefone, diretamente ligadas à sua postura.

 

Luta pela liberdade e melhoria da condição feminina

Exilada, atleta de elite de taekwondo e defensora dos direitos humanos, Marzieh Hamidi tornou-se uma das vozes que denunciam a realidade vivida por mulheres e meninas sob o regime do Taleban no Afeganistão. Sua trajetória revela como a coragem pode assumir diferentes formas: no tatame, na palavra, no exílio e na decisão de continuar lutando mesmo quando falar pode representar um risco.

Shoji