sábado, 19 de fevereiro de 2022

PROJETO POSSÍVEL: CONQUISTA DOS 14 PICOS MAIS ALTOS EM TEMPO RECORDE

 O nepalês Nims alcança os 14 picos acima dos 8000 meros em somente 7 meses em um dos maiores feitos do alpinismo

Nirmal Purja Magar, mais conhecido como Nims, ex-militar e alpinista nepalês, concluiu o Projeto Possível em 29.10.2019 ao escalar o 14º pico acima de 8000m no tempo recorde de menos de 7 meses, quebrando o recorde mundial anterior de 2013, quando o montanhista coreano Kim Chang completou os 14 picos em 7 anos, 10 meses e 6 dias, mas o primeiro a subir os 14 cumes mais altos foi o notável alpinista tirolês-italiano Reinhold Messner, porém no prazo de 16 anos entre 1970 e 1986. A conquista do Nims pode ser considerada a mais importante depois da primeira escalada do Everest em 1953 pelos alpinistas neozelandês Edmund Hillary  e nepalês Tenzing Norgay.   


a) 14 Peaks: Nothing Is Impossible | Official Trailer | Netflix 2 de nov. de 2021 Netflix

b) NIRMAL PURJA Nepali broke 7 World Records for climbing 14 World's highest peaks in 6 months! 1 de nov. de 2019 Enhinyeronggala VLOGS

 Carreira em unidade militar de elite e como alpinista

Nirmal Purja nasceu em 1984 no distrito nepalês de Myagdi, na região de Dhaulagiri, a uma altitude de 1600 metros acima do nível do mar e cresceu no distrito de Chitwan. Em 2003, alistou-se na Brigada Gurkha , o lendário regimento de soldados recrutados no Nepal para servir ao exército britânico. A seleção para entrada nesse regimento é altamente competitiva por ser uma opção popular entre os jovens nepaleses, em função da épica história de 100 anos de luta por várias partes do mundo e uma pensão e benefícios garantidos pelo governo britânico. Após 6 anos a serviço nos Gurkhas, Nims passou por um teste ainda mais seletivo, de 6 meses, para ingressar no Special Boat Service (SBS), uma unidade de elite da Royal British Navy (Marinha Real Britânica).

 Dedicação exclusiva ao alpinismo e ao Projeto Possível

Depois de 16 anos de serviço militar, Nims pode-se tornar um alpinista profissional e dedicar-se integralmente ao Projeto Possível de escalar os 14 picos acima de 8000 m, iniciando-se o primeiro em abril/2019. Nims chamou essa empreitada de Projeto Possível, como forma de mostrar que tudo que os humanos acham ser impossível pode se tornar possível com a mentalidade e o treinamento corretos, de modo a encorajar e inspirar qualquer pessoa a alcançar o “impossível”. Os cumes alcançados foram:

·         Annapurna (8091 m, Nepal 23.04.2019, 15:00) 

·         Dhaulagiri (8167 m, Nepal, 12.05.2019, 18h15) 

·         Kanchenjunga (8586 m, Nepal, 15.05.2019, 11h19) 

·         Everest (8848 metros, Nepal, 22.05.2019, 5h30) 

·         Lhotse (8516 m, Nepal, 22.05.2019, 15h45) 

·         Makalu (8481 m, Nepal, 24.05.2019, 6h)

·         Nanga Parbat (8126 m, Paquistão, 03.07.2019) 

·         Gasherbrum I (8010 m, Paquistão, 15.07.2019) 

·         Gasherbrum II (8035 m, Paquistão, 18.07.2019) 

·         K2 (8611m, Paquistão, 24.07.2019, 8h00) 

·         Broad Peak (8047 m, Paquistão, 26.07.2019 8h50)

·         Cho Oyu (8188 m, China, 23.09.2019, 10h45) 

·         Manaslu (8163 m, Nepal, 27.09.2019, 7h50) 

·         Shishapangma (8027 m, Tibete (China), 29.10.2019, 8h58).

 O alpinismo nepalês alcança o protagonismo

Os sherpas, que habitam a parte mais montanhosa do Nepal, no alto do Himalaia,  se tornaram mundialmente famosos por exercerem a função importante de apoiar as expedições de escalada das montanhas mais altas no mundo na extensa cordilheira do Himalaia.  Esse apoio dos sherpas é tão fundamental que os próprios alpinistas reconhecem que a escalada dos picos mais altos no Himalaia seria praticamente impossível sem a contribuição dos heróicos sherpas, mas estes se mostravam-se anônimos ou com papéis de coadjuvantes, pois a glória das conquistas ficam com os alpinistas forasteiros.  Com o feito do Nims, o personagem principal passa a ser um nativo nepalês, apoiado da mesma forma pelos indomáveis sherpas.   

Shoji

 

sábado, 12 de fevereiro de 2022

OLIMPÍADAS DE INVERNO 2022 DE NEVE ARTIFICIAL

 Aquecimento global causa uso de 100% de neve artificial nos Jogos de Inverno 2022 em Beijing

Um relatório divulgado pelo Sport Ecology Group, da Universidade de Loughborough, no Reino Unido, e pela organização Save Our Winters, que reúne cientistas de vários países em prol da sustentabilidade do esporte, destacou que as mudanças climáticas causadas pelo aquecimento global ameaçam o futuro dos esportes de neve e reduzem o número de locais adequados para a prática dessa modalidade esportiva bem como para a realização de futuras Olimpíadas de Inverno. Esse estudo apontou que, dos 21 locais que já sediaram os jogos desde 1924 em Chamonix, na França, apenas 10 teriam a adequação climática e o volume natural de neve necessários para sediar um evento olímpico em 2050.

Nas Olimpíadas de Inverno de 1980, em Lake Placid, nos EUA, foi a primeira vez em que se constatou a necessidade de uso de neve artificial por efeito das mudanças climáticas. Com o passar do tempo e  do avanço do aquecimento global, esse fenômeno só se agravou, de modo que em 2014 em Sochi na Rússia, 80% da neve usada nas arenas esportivas era artificial, percentual que avançou para 90% em 2018, em PyeongChang, na Coréia do Sul,  culminando com 100% nas Olimpíadas de Inverno em 2022 em Beijing, na China, no período de 4 a 20.02.2022.

 

Ref.: a) Neve artificial em olimpíada de Pequim é tendência. mas também alvo de críticas

6 de fev. de 2022 Noticias em video Brasil

b) Jogos de Inverno com neve artificial 30 de dez. de 2021 AFP Português

c) Lindsey Jacobellis é ouro no Snowboard | Snowboard Beijing 2022 9 de fev. de 2022 Olympics


Prejuízo ambiental

Fazer neve artificial não somente é caro mas é um processo que demanda muita água e energia, o que compromete a realização de jogos "verdes", com mínimo impacto ambiental. Outro ponto controverso é que a fabricação da neve artificial exige aditivos químicos ou biológicos para melhoria da sua qualidade e rendimento, no sentido de retardar o seu derretimento. Mas a água tratada quimicamente pode causar danos à biodiversidade e à vegetação e o derretimento lento, por sua vez, pode prejudicar o ciclo de crescimento das plantas.

 

Maior risco aos atletas

Como a neve artificial tende a criar uma superfície mais dura e imprevisível, em que os equipamentos deslizam de forma mais rápida, com maior risco aos atletas, e consequente elevação da chance da ocorrência de quedas e de acidentes mais graves.

 

Preferência aos campos de neve natural

Em função desses aspectos, os futuros jogos olímpicos de inverno deveriam ser realizados preferencialmente em locais com melhores condições de queda e acumulação de neve natural, reduzindo-se ao máximo a necessidade de neve artificial.

Shoji

 

terça-feira, 4 de janeiro de 2022

COMPOSTAGEM EM CONDOMÍNIO PAULISTANO

 A compostagem reduz a coleta coletiva de lixo e sua destinação aos lixões

O lixo urbano, resultado das atividades cotidianas das cidades, causa dificuldades aos municípios, por serem gerados em grande quantidade e compostos dos mais variados materiais, de modo que o seu descarte em áreas inadequadas provoca graves efeitos socioambientais, que afetam a qualidade de vida e a saúde da população. 

Um dos maiores entraves ao correto manejo do lixo urbano é o lixo orgânico, que é resíduo de qualquer material de origem biológica, como as partes não aproveitadas no preparo de alimentos, as sobras de comidas, borra de café, restos de jardinagem, etc. Descartado juntamente com os demais rejeitos, o lixo orgânico perde seu potencial de reaproveitamento, reciclagem e até mesmo de rentabilização. E o impacto vai além dos aspectos sociais e econômicos, atingindo fortemente a área ambiental: em aterros e lixões, a matéria orgânica emite gás metano a partir do apodrecimento e atrai vetores de doenças, como ratos, baratas e vários insetos além de gerar o chorume, líquido resultante da decomposição do lixo que contamina o solo, as águas e o lençol freático.

a) Compostagem em Condomínios Projeto Raiz mar.2021
b) Condomínio em SP tem compostagem feta pelos moradores Epísódios Completos 25.07.2021

O lixo urbano, resultado das atividades cotidianas das cidades, causa dificuldades aos municípios, por serem gerados em grande quantidade e compostos dos mais variados materiais, de modo que o seu descarte em áreas inadequadas provoca graves efeitos socioambientais, que afetam a qualidade de vida e a saúde da população. 

Um dos maiores entraves ao correto manejo do lixo urbano é o lixo orgânico, que é resíduo de qualquer material de origem biológica, como as partes não aproveitadas no preparo de alimentos, as sobras de comidas, borra de café, restos de jardinagem, etc. Descartado juntamente com os demais rejeitos, o lixo orgânico perde seu potencial de reaproveitamento, reciclagem e até mesmo de rentabilização. E o impacto vai além dos aspectos sociais e econômicos, atingindo fortemente a área ambiental: em aterros e lixões, a matéria orgânica emite gás metano a partir do apodrecimento e atrai vetores de doenças, como ratos, baratas e vários insetos além de gerar o chorume, líquido resultante da decomposição do lixo que contamina o solo, as águas e o lençol freático.

 

Benefícios da compostagem


A compostagem é o processo biológico de valorização da matéria orgânica, seja ela de origem urbana, doméstica, industrial, agrícola ou florestal, e pode ser considerada como um tipo de reciclagem do lixo orgânico. Trata-se de um processo natural em que microrganismos, como fungos e bactérias, são responsáveis pela degradação de matéria orgânica, transformando-a em húmus, um material rico em nutrientes.

Nesse sentido, a compostagem do lixo orgânico urbano representa uma forma adequada e correta ambientalmente de gestão, principalmente pelo fato do lixo orgânico residencial representar mais da metade do lixo gerado pelos domicílios urbanos, e causar grande transtorno no dia a dia das cidades. 

 

Exemplo de compostagem em condomínio urbano na capital paulista


Um condomínio em São Paulo, no Alto Butantã, composto de 4 prédios, com cerca de 1200 moradores, desenvolveu um espaço para compostagem e também para cultivo de hortaliças e árvores frutíferas.

Para montar o espaço de compostagem e a horta, os moradores escolheram um local do terreno destinado ao entulho, onde, após a devida limpeza, foram colocados os recipientes para destinação do lixo orgânico para transformação em adubo, que é usado na horta comunitária, nos pomares e nos jardins. Assim, além de evitar o envio do lixo orgânico aos aterros sanitários e lixões, os moradores dispõem de adubo para o cultivo de diversas frutas, verduras e legumes para o desfrute dos condôminos.

Para a implantação da compostagem, o primeiro grande obstáculo foi o trabalho de convencimento dos moradores para a correta seleção do lixo, o que passou a ser feita em local apropriado no piso térreo de cada um dos 4 prédios para onde os moradores devem levar o lixo e fazer a seleção, colocando os vários tipos de resíduos em recipientes diferenciados, aos quais é dada a correta destinação, incluindo o lixo orgânico, sendo este levado aos recipientes de compostagem no fundo do terreno do condomínio. 

Outra dificuldade superada foi o possível cheiro que poderia ser exalado nas dependências do condomínio pelo processo de fermentação do lixo orgânico. Entretanto, isso foi evitado pela técnica de compostagem que utiliza recipientes arejados e pela colocação alternada de camadas de folhas secas, palhas e serragem depois da camada de restos de alimentos.

Com isso o nitrogênio que é gerado no processo de fermentação é neutralizado pelo carbono propiciado pela serragem e palhas, eliminando o mau cheiro e afastando as moscas e outros insetos. Normalmente, após 2 meses de compostagem, o lixo está transformado em excelente adubo orgânico natural sem agrotóxicos.

Além do correto manuseio e separação do lixo orgânico e da geração de adubo de alta qualidade, a implantação da compostagem resultou na redução drástica no uso de sacos plásticos para coleta coletiva de lixo com a correspondente queda de despesas.  

 

Benefícios da compostagem para a sociedade em geral


Como o lixo orgânico representa grande parte do lixo coletado nas cidades, a implantação cada vez maior do sistema de compostagem resulta em substanciais benefícios para o conjunto da sociedade, tais como:

·         Redução da movimentação da coleta coletiva de lixo que representa custo significativo e causa grandes transtornos ao tráfego urbano;

·         Redução do volume destinado aos aterros sanitários e lixões, que causam grandes danos ambientais, como a poluição do ar, a degradação do solo e do lençol freático, além de problemas sanitários;

·         Aproveitamento dos resíduos orgânicos para a produção de adubo orgânico sem agrotóxicos, para desenvolvimento de áreas verdes, jardins, hortas e pomares em áreas públicas e residenciais.

Os benefícios são tão claros e evidentes com baixo custo financeiro, que os órgãos públicos e as ONG ambientais deveriam ser os maiores interessados no incentivo e apoio à compostagem, principalmente nas grandes cidades.

Shoji

 


sábado, 4 de dezembro de 2021

PESCA COMERCIAL PREDATÓRIA

 Pesca predatória ameaça a capacidade de reposição do ecossistema marinho  

Os oceanos e mares sempre foram extremamente importantes para a humanidade, principalmente em razão da atividade pesqueira, que é para muitos países uma das principais fontes de renda, de alimentação de proteína animal, bem como na geração de emprego para parcela substancial da sua população.

Nas últimas décadas, para elevar a produtividade da atividade pesqueira, os países mais dedicados à pesca comercial passaram a investir em tecnologias cada vez mais avançadas, com embarcações de porte sofisticadas munidas de câmara fria para armazenamento, radares para identificação de cardumes, sistema de posicionamento global (GPS), além de moderno sistema de industrialização do pescado.

 

a) Greenpeace - Pesca de arrasto de profundidade 17 de fev. de 2010 mcrost01

b) Pesca de arrastre: impacto sobre el medio ambiente -G5 6 de mar. de 2017 Lunes Verde en Red

Risco da sobrepesca e pesca predatória

Entretanto, a alta demanda por produtos pesqueiros e a elevação tecnológica dos meios de captura têm levado a atividade pesqueira a ser executada de forma desenfreada,   excessiva e até insustentável, caracterizando-se a insustentabilidade e a sobrepesca, quando se pesca acima da capacidade populacional desses ecossistemas de se reproduzir e desenvolver, ou seja, não dando às espécies aquáticas a oportunidade de se reproduzir em ritmo adequado, o que no futuro previsível, reduzirá o nível ótimo de pesca.

Enfim, a  sobrepesca é considerada uma ameaça para a biodiversidade marinha e assume uma postura devastadora sobre os ecossistemas aquáticos, por não levar em conta a capacidade de reposição das espécies exploradas. 

 Como ocorre a pesca predatória

As más práticas da atividade pesqueira é uma das causas de destruição ao ambiente marinho, como a pescaria com redes de arrastão, segundo a qual as redes são jogadas até o fundo do mar para a captura das espécies comerciais, mas nessa prática comumente são trazidas também espécies de pequeno tamanho não adequado para comercialização bem como outras espécies sem valor comercial, como os golfinhostartarugastubarõescoraisalgas e até baleias, sendo que a maioria dessas espécies são devolvidas ao mar sem vida, causando prejuízos incalculáveis à vida marinha.

 Efeitos da pesca predatória

esforço de pesca excessiva começou a virar um problema entre 1950 e 1989, com o desenvolvimento de equipamentos e a introdução de técnicas que permitiram uma melhor eficiência na pesca comercial. A captura excessiva tem resultado já no desaparecimento de algumas espécies de peixes bem como à redução nos estoques de pescados. Segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 77% das espécies com valor comercial estão afetadas a um maior ou menor grau de excesso de pesca (8% levemente, 17% em sobre exploração e 52% em sobre-exploração máxima).

 A sustentabilidade do ecossistema oceânico

Apesar da enorme pressão do mercado global por proteína marinha, que estimula a pesca comercial de escala industrial, a captura das espécies oceânicas só é renovável se for explorada com manejo ecossistêmico, ou seja, respeitando-se a capacidade de manutenção dos estoques, evitando a pesca em períodos de reprodução e desenvolvimento juvenil, bem como não utilizando formas agressivas ao meio ambiente marinho como a rede de arrastão.

A prática da sustentabilidade ambiental deve-se basear em alternativas ecologicamente corretas, economicamente viáveis, socialmente justas e culturalmente diversas, de modo que ser sustentável é respeitar o meio ambiente, suprindo as necessidades da atual geração, sem, entretanto, comprometer o sustento das futuras gerações. Ou seja, devemos estar sempre conscientes que o espaço deste Planeta é finito, de modo que seus recursos naturais não são inesgotáveis, ao contrário, são limitados e devem ser usados levando em conta a viabilidade futura da humanidade.

Shoji