sábado, 17 de junho de 2017

POLÍTICO SOB DENÚNCIA DEVE SER JULGADO PELA JUSTIÇA E NÃO PELO VOTO POPULAR





Em relação ao ex-presidente Lula, que é réu em  pelo menos 6 processos judiciais, a maioria no âmbito da Operação Lava Jato, existe um discurso falacioso de que ele estaria sendo vítima de perseguição política para evitar que ele se candidate às eleições presidenciais de 2018, e eventualmente vença e se torne o novo presidente da República. 
Se esse tipo de argumento fosse válido, não somente Lula, mas todos os governantes e ex-governantes, sob pedido de abertura de investigação,  também deveriam ter o mesmo tratamento, ou seja, deixar de ser julgado e condenado pela Justiça, e sim ser submetido ao voto popular.

Enfim, qualquer político, mesmo que renomado, sob denúncia judicial, deve responder perante a Justiça como ocorre com qualquer cidadão comum, sem o privilégio de uma eventual “absolvição” por meio do voto popular.  
Soji Soja

sábado, 3 de junho de 2017

MOEDA FORA DE CIRCULAÇÃO É UM CUSTO PARA TODOS

Devemos usar as moedas nas compras do dia a dia



Segundo informe da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), de 29.04.2016, a população brasileira guarda em bolsos, cofrinhos e gavetas 7,4 bilhões de moedas, o que representa 32% das moedas emitidas até dezembro/2015, conforme dados do Banco Central do Brasil. Isto significa que quase um terço (1/3) das moedas emitidas pela Casa da Moeda do Brasil está retido, sem uso, pela população, em montante estimado de R$ 1,4 bilhão, valor esse que não está sendo usado para compra de algum tipo de produto ou serviço.  O estoque de moedas em circulação no mercado corresponde a 100 unidades para cada habitante, o que equivale à média mundial, significando que o estoque de moedas existente no mercado brasileiro não pode ser considerado baixo. Baixo, sim, é o índice de uso efetivo das moedas pelo cidadão brasileiro.  

            Isso é resultado do fato do uso da moeda não ser hábito generalizado dos brasileiros, diferentemente do que ocorre em outros países, onde é comum o uso de moedas como meio de pagamento nas transações do dia a dia.  O hábito de não carregar moedas e, portanto, de não usá-las reflete em alguns efeitos nocivos, tais como:
i.            aumenta a dificuldade para o troco nas compras e vendas no comércio e nas transações em geral, gerando transtornos aos comerciantes, constituindo, ao mesmo tempo, fonte de pequenos conflitos com os seus clientes,  que, na ausência de troco, muitas vezes, tem de se contentar em receber como troco mercadorias, como balas, etc.;
ii.            aumenta a necessidade de emissão de mais moedas, gerando custos ao
Banco Central,  onerando ao final  o orçamento público,  que é pago por todos os contribuintes. 

            Dessa forma, é importante conscientizar a população em geral sobre a importância de circular não somente as moedas, mas também as cédulas de pequeno valor, pois, assim, estaria sendo facilitado o troco no comércio, reduzindo, ao mesmo tempo, a necessidade de emissão de mais moedas e cédulas de pequeno valor pela autoridade monetária.  E o custo da emissão de dinheiro não é baixo, por exemplo, a emissão de moeda de R$ 1,00 custa R$ 0,47, ou seja, quase a metade de seu valor de face, enquanto a emissão de cédula de R$ 2,00 custa R$ 0,27.
Adicionalmente, deve-se informar ao público que as moedas esquecidas nas gavetas, bolsos e carteiras, muitas vezes alcançam valores significativos, que podem ser trocados por cédulas de maior valor no mercado varejista, ou até depositados nos bancos e direcionados às aplicações financeiras, aumentando, assim, a sua poupança financeira.  Quanto ao hábito de guardar as moedas nos cofrinhos, deve-se estimular para que os mesmos sejam abertos com maior frequência para que o montante acumulado também tenha a mesma destinação, isto é, seja trocado por cédulas de maior valor ou depositado/aplicado nos bancos.   

Moedas e cédulas devem ser carregadas em carteiras e bolsas para aumentar a durabilidade

            Adicionalmente, devemos lembrar ainda que as moedas e as cédulas devem ser carregadas de forma apropriada e segura em carteiras, bolsas e moedeiros, e não colocadas em bolsos ou colocados em papelotes, sem qualquer proteção, pois, assim, seria aumentada a durabilidade dessas moedas e cédulas. No Brasil, essa durabilidade é relativamente curta, o que obriga a autoridade monetária a emiti-las com maior frequência, onerando o orçamento público, que é pago por todos.
Soji Soja

            

sábado, 27 de maio de 2017

QUANDO OS DISCÍPLOS SUPERAM SEUS MESTRES

A greve dos professores da escola privada não levou em conta o interesse dos alunos

No artigo na revista Época nº 984, de 01.05.2017, pg. 71, intitulado “Quando os discípulos superam seus mestres”, o articulista Joel Pinheiro da Fonseca relata sobre a carta aberta escrita pelos professores do Colégio Santa Cruz, uma escola privada de SP, justificando sua adesão à greve geral do dia 28.04.2017, decretada em todo o País, mas com baixo nível de adesão, basicamente em protesto contra as propostas de reformas previdenciária e trabalhista em trâmite no Congresso Nacional.
Em seguida, o articulista ressalta, com louvor, a resposta dada por um grupo de alunos, partindo da premissa de que os professores podem ter boas intenções mas o caminho proposto por eles, contudo, não levaria a bons resultados. Sem monopolizar a pretensa virtude, mas usando somente dados e fatos, os alunos levantam aspectos relevantes sobre as reformas em debate, tais como: o tamanho do déficit da previdência, os aspectos regressivos do atual sistema previdenciário, o gasto excessivo do País com a previdência em comparação a outros países, embora seja um país relativamente jovem, além de benesses injustificadas a determinadas categorias, principalmente do serviço público, ou seja, se nenhuma reforma importante for feita, no futuro, a receita pública será usada praticamente só para pagar previdência e o salário dos servidores.    
Mas além do mérito da manifestação desses alunos neste momento de gravíssimo cenário econômico do País, deve-se ressaltar que a decretação da greve pelos professores dessa escola privada, além de ter tido caráter essencialmente política e ideológica, não levou em conta o prejuízo causado à boa formação educacional dos alunos, que constituem a razão da existência da escola de boa qualidade, pela qual os pais dispõem a arcar com custo bastante significativo para a sua manutenção.
Soji Soja
  


sábado, 6 de maio de 2017

EXTINÇÃO DE IDIOMAS É PERDA INESTIMÁVEL PARA HUMANIDADE




A ameaça de extinção não paira apenas sobre a maioria das espécies animais e vegetais existentes no nosso planeta. A humanidade enfrenta também outra forma de extinção em massa: a das línguas. Centenas, milhares de sistemas linguísticos já desapareceram ou estão desaparecendo num ritmo acelerado. Quando uma língua morre, com ela morre também uma visão de mundo absolutamente única. Com a língua que desparece perdemos uma enorme herança cultural; o entendimento de como um grupo humano específico se relaciona com o mundo e a natureza ao seu redor; conhecimentos médicos, botânicos e zoológicos; e, ainda mais importante, perdemos a expressão do humor, do amor e da vida como a viam e entendiam essas pessoas. Línguas diferentes mostram maneiras diferentes da mente humana codificar as informações, entender e sistematizar o mundo, a experiência, e são formas nunca pensadas por aqueles que falam, por exemplo,  uma língua de origem européia. Em resumo, perdemos o testemunho de vida de um grupo humano de séculos, de milênios,  configurando uma perda de patrimônio cultural irreparável para a humanidade.
A maior concentração de línguas faladas encontra-se em áreas do planeta onde é maior a biodiversidade, em termos de ecossistema ambiental e variedade de todas as formas de vida animal e vegetal. Nas florestas pluviais tropicais, que hoje ocupam apenas 7% da superfície terrestre, estão 36% dos grupos etnolinguísticos do mundo.
Nos últimos decênios, sob a influência da globalização e do rápido processo de modernização e de desenvolvimento econômico, estima-se que até o final do século 21 estarão extintas entre 50 e 90% das línguas atualmente em uso.
Os idiomas mais falados atualmente no mundo são o chinês mandarim, inglês, espanhol, português, híndi/urdu, russo, árabe, bengali, indonésio e japonês. O processo de globalização tende cada vez mais a fortalecer as grandes línguas, como o inglês, hoje considerado uma língua franca mundial. O fortalecimento dessas línguas fortes em alguns países enfraquece paulatinamente os próprios idiomas locais, como ocorre nas Filipinas, onde o inglês vem progressivamente substituindo os dialetos filipinos.
Importância da preservação e registro das línguas ameaçadas de extinção

Para não se perder totalmente o imenso patrimônio cultural representado pelas línguas em perigo de extinção, é imprescindível documentar essas línguas, usando todo o cabedal tecnológico disponível, por todas as formas possíveis, em texto, áudio, fotos e vídeo, de modo a viabilizar a consulta e estudo das mesmas por qualquer pessoa interessada, principalmente pelas pessoas falantes e pesquisadores e especialistas envolvidos na preservação desses idiomas.   

Nesse sentido, a Unesco, da ONU, lançou, em 2017, em Paris,  a versão eletrônica do seu Atlas das línguas em perigo no mundo. Segundo esse organismo internacional, das cerca de 6000 línguas existentes no mundo, mais de 2500 estariam ameaçadas. Esse Atlas permite fazer pesquisas segundo vários critérios e classifica as 2500 línguas em perigo, segundo 5 níveis de vitalidade diferentes (vulnerável, estar em perigo, em grave perigo, em situação crítica e extinta, a partir de 1950).  Durante as 3 últimas gerações, extinguiram-se mais de 200 línguas, 538 estão em situação crítica, 502, em grave perigo, 632, em perigo e 607, vulneráveis.
Soji Soja