sábado, 26 de novembro de 2022

DERRETIMENTO DE GELEIRAS AMEAÇA O PLANETA

 1/3 das geleiras do Patrimônio Mundial podem desaparecer até 2050  

O Relatório do Painel Intergovernamental sobre o Clima (IPCC) da ONU, divulgado em 09.08.2021, alerta que a Terra está esquentando mais rápido do que era previsto, podendo atingir 1,5º C acima do nível pré-industrial entre 2030 e 2040, ou seja, pelo menos 10 anos antes do esperado. Ou seja, desde 1850, a temperatura média da Terra aumentou ao menos 1,1º C e mais no mínimo 0,4º C vai agravar os prejuízos ambientais como secas severas, ondas de calor, chuvas torrenciais e consequente enchentes catastróficas, tornados, incêndios florestais, aceleração do derretimento das geleiras, elevação do nível do mar e provável submersão de vários países insulares.

 

Ref.: a) Unesco alerta para o fim de um terço das geleiras até 2050 Record News 04.11.2022

b) Derretimento das geleiras já se tornou irreversível, aponta especialistas Fala Brasi nov 2020

 

Geleiras emblemáticas podem desaparecer até 2050

Um estudo da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), da ONU, divulgado em 04.11.2022, destaca o sério risco associado ao derretimento acelerado de geleiras, sendo que algumas das massas de gelo em locais do Patrimônio Mundial mais emblemáticos do mundo devem desaparecer até 2050. 50 locais do Patrimônio Mundial da Unesco abrigam geleiras, representando quase 10% da área total de massas de gelo da Terra, incluindo o mais alto, próximo ao Monte Everest, o mais longo, no Alasca, e os últimos glaciares restantes na África. Entre as geleiras que podem desaparecer até 2050 destacam-se: as dos Pirineus Mont Perdu (França e Espanha), das Dolomitas (Itália), as geleiras do Parque Nacional do Kilimanjaro e do Monte Quênia (África) e as dos parques nacionais de Yosemite e Yellowstone (EUA).

Esses patrimônios mundiais estão perdendo 58 bilhões de toneladas de gelo a cada ano, volume de água equivalente ao consumo anual de água na França e Espanha, contribuindo para 5% do aumento global observado no nível do mar. Deve-se destacar ainda que metade da humanidade depende direta ou indiretamente das geleiras como fonte de água para uso doméstico, agricultura e energia, e o seu derretimento acelerado ainda aumenta o risco de desastres naturais.

 

Derretimento de geleiras da Groelândia

Uma das regiões mais críticas na perda de geleiras concentra-se na Groelândia. Segundo dados publicados na revista científica Nature Communications Earth & Environment em ago/2020, as camadas de gelo da Groenlândia encolheram a um ponto irreversível, situação em que a queda de neve não está sendo mais suficiente para reabastecer as geleiras das camadas de gelo perdidas pelo derretimento no verão. Em outras palavras, o gelo que está sendo dissolvido no oceano ultrapassa a neve que se acumula na superfície do manto das geleiras.

O encolhimento das geleiras na Groenlândia é um problema para todo o planeta, pois o gelo que derrete ou se desprende dos mantos de gelo da Groenlândia acaba no Oceano Atlântico e, consequentemente, espalha-se por todos os oceanos do mundo, fazendo com que a perda de gelo na Groenlândia acaba sendo um dos principais contribuintes para o aumento do nível do mar ao ritmo de pelo menos 1 mm por ano.

 

O grande desafio ao Mundo no combate aos efeitos do aquecimento global

Mas, o relatório da Unesco destaca que ainda é possível salvar os outros 2/3 das geleiras do Patrimônio Mundial, se o aumento da temperatura global não ultrapassar 1,5°C até o, o que constitui um dos grandes desafios enfrentados pela 27ª Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27)  que se realizou em nov/2022, em Sharm El-Sheikh no Egito. Mas os resultados das inúmeras conferências sobre mudanças climáticas têm sido mais na manifestação de boas intenções do que no alcance de resultados práticos, fato esse que causou a ausência na COP27 de um dos grandes ícones mundiais no combate ao aquecimento global, a garota norueguesa Greta Thunberg.

Shoji

 

sábado, 19 de novembro de 2022

HACHIKO SÍMBOLO DE FIDELIDADE

 Hachiko continua na memória popular como exemplo inesquecível de lealdade e fidelidade

O animal de estimação ama seu dono incondicionalmente e fica feliz só por estar ao seu lado seja nos momentos felizes, como também nos mais difíceis, ou seja, pela sua natureza intrínseca, o animal de estimação não só gosta de fazer companhia ao seu dono, mas é fiel, e por toda a vida.

Assim, o maior sentido em ter um pet é que ele faz companhia ao seu dono em qualquer circunstância ou local, independentemente da sua condição econômica ou financeira, ou seja, o animal de estimação sempre fica ao lado do seu dono, se este der o mínimo de atenção e carinho.  Por isso, vemos comovidamente cachorros acompanhando docilmente seu dono, mesmo que este seja morador de rua, mal trajado e puxando um carrinho cheio de tralhas. Nesse escopo, o cão Hachiko falecido em 1935 é reconhecido mundialmente pela sua fidelidade incondicional e comovente ao seu mestre.

 

Ref.: Homenagem a Hachiko, o cão héroi Miguel Cristiano nov 2012

Hachiko uma vida de dedicação e fidelidade ao seu mestre

Hachikō, da renomada raça canina Akita, nasceu em 10.11.1923, em uma fazenda perto da cidade de Odate, província de Akita. Em 1924, Hachiko foi trazido a Tóquio por Hidesaburo Ueno, professor do departamento de agricultura da Universidade de Tóquio, que lhe deu o nome de Hachi, que significa o nº 8, mas era mais conhecido pelo seu diminutivo, Hachiko. Por ser amante de cães, o professor Ueno dedicava ao Hachiko muito amor e carinho, de modo que Hachikō o acompanhava em sua ida ao trabalho desde a porta de casa até a estação de trem de Shibuya, retornando para encontrá-lo ao final do dia.

A visão dos 2, que chegavam na estação de manhã e voltavam para casa juntos ao final da tarde, impressionava bastante aos transeuntes. A rotina continuou até maio de 2025, quando numa tarde o professor não retornou como de costume, por ter falecido repentinamente em decorrência de um derrame cerebral. Assim, a vida feliz de Hachiko  ao lado do seu dono em sua ida e volta da estação de Shibuya foi interrompida inesperadamente apenas depois de 1 ano e 4 meses.

Após a morte de seu dono, Hachiko foi morar com parentes do professor Ueno, em Asakusa, no leste de Tóquio. Mas ele fugia frequentemente e voltava para a sua casa em Shibuya, por isso, decorrido 1 ano, Hachiko foi dado ao ex-jardineiro do Professor Ueno, que conhecia Hachiko desde que ele era um filhote. Mas assim mesmo,  Hachiko continuava fugindo. Ao perceber que seu antigo dono já não morava na casa em Shibuya, Hachiko passou a ir todos os dias à estação de Shibuya, para esperar pela volta do seu dono, procurando o entre inúmeros passageiros, fazendo isso dia após dia, ano após ano, em meio aos apressados passageiros. Percebendo que o cão esperava em vão a volta de seu mestre, e vendo o seu estado físico cada vez mais precário, muitos transeuntes da estação Shibuya ficaram tocados e passaram a cuidar do Hachiko, dando lhe comida e água para aliviar a sua eterna vigília.

 Reconhecimento popular à fidelidade incondicional de Hachiko

Pelo esforço de um aluno do Professor Ueno, a história de Hachiko acabou sendo publicado em setembro/1932, em um dos principais jornais japoneses, o Asahi Shimbun, e, assim, Hachiko tornou-se uma espécie de celebridade, tendo ganho, ainda em vivo, uma estátua de bronze em frente à estação Shibuya, de autoria do renomado escultor Teru Ando, inaugurada em 21.04.1934.

 

A morte de Hachiko e sua entronização na memória eterna das pessoas

A incansável vigília de Hachiko pelo seu dono durou quase 10 anos, quando em 08.03.1935, Hachiko veio o falecer.  A morte de Hachiko causou muita consternação e foi estampada nos principais jornais japoneses. Os restos mortais de Hachiko foram cremados e suas cinzas enterradas no Cemitério de Aoyama, em Minato, Tóquio, ao lado das do seu mestre, o Professor Ueno. A estátua a ele dedicado, no entanto, viria a ser derretida em abril/1944 para uso no  esforço de guerra durante a II Guerra Mundial. Mas, após o fim do conflito armado, uma réplica foi feita por Takeshi Ando, filho do escultor original e posta no mesmo lugar em 1948. Esta estátua continua na Estação de Shibuya e é um ponto de encontro muito famoso e popular, onde Hachiko é o sujeito de justas homenagens.  Também, até hoje Hachiko é ensinado às crianças japonesas como exemplo comovente de fidelidade e dedicação.

Shoji

 

 

sábado, 12 de novembro de 2022

PFAND E A ECONOMIA CIRCULAR NA ALEMANHA

 Sistema Pfand induz o consumidor a reciclar os recipientes retornáveis

A Economia Circular é um conceito estratégico que assenta na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. Substituindo o conceito de fim-de-vida da economia linear, por novos fluxos circulares de reutilização, restauração e renovação, num processo integrado, a economia circular é vista como um elemento chave para promover a dissociação entre o crescimento econômico e o aumento no consumo de recursos, relação até aqui vista como inexorável.

 Inspirando-se nos mecanismos dos ecossistemas naturais, que gerem os recursos a longo prazo num processo contínuo de reabsorção e reciclagem, a Economia Circular promove um modelo econômico reorganizado, através da coordenação dos sistemas de produção e consumo em circuitos fechados. 

Assim, a economia circular contrapõe o atual ainda majoritário modelo que pode ser chamado como economia linear, baseado em extrair, transformar e descartar, o que depende de grandes quantidades de materiais de baixo custo e fácil acesso, além do uso intensivo de energia.  Entretanto, esse modelo é claramente insustentável a longo prazo, pois os estoques de insumos e matérias-primas são finitos e um dia poderão ser esgotados, se for mantido o atual ritmo de uso de materiais e insumos. 

Conceitualmente, a economia circular é regenerativa e restaurativa, ou seja, seu objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais nível de utilidade e valor o tempo todo.  Assim, a economia circular consiste em um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis.

 

Ref.: Sistema de Reciclagem de Garrafas PET na Alemanha  nov 2020 Andreia Bohn 

Sistema Pfand de reciclagem de recipientes de bebidas

A Alemanha possui um dos mais eficientes sistemas de reciclagem do mundo com cerca de 66% de resíduos urbanos reciclados. Os programas de coleta de lixo administrados pelo governo representam fator positivo, mas grande parte desse sucesso se deve à participação da população em sistemas como o de separação e retorno de recipientes chamado Pfand. 

A palavra Pfand pode ser traduzida como “depósito” ou “seguro” e corresponde ao valor pago pelo consumidor pelo recipiente na compra de bebidas, podendo esses recipientes ser: (1) garrafas de vidro; (2) garrafas plásticas; (3) latas de alumínio; e (4) caixas e engradados.

Por exemplo, ao comprar uma lata de cerveja por 60 centavos o freguês paga ainda 25 centavos pelo Pfand da lata, de modo que o preço final se eleva a 85 centavos. Após desfrutar da cerveja, o consumidor pode devolver a lata e receber de volta os 25 centavos. Com isso, o consumidor acaba pagando apenas pelo líquido contido no recipiente, sendo este, na realidade, objeto de emprétimo, mediante o pagamento do depósito de garantia que se chama Pfand.

Para receber o depósito de volta, o consumidor deve devolver os recipientes vazios às máquinas especiais normalmente colocadas nos supermercados, podendo o seu valor total ser reembolsado ou abatido na compra efetuada na loja.

 

A logística reversa das garrafas reutilizáveis ou de uso único para reciclagem

A garrafa reutilizável de refrigerante, por exemplo, devolvida ao supermercado, é transportada por um vendedor atacadista de bebidas, junto com outros vasilhames, para um local para triagem. A garrafa reutilizável é selecionada para ser levada para o produtor que utiliza esse tipo de embalagem. No produtor, ela é lavada e novamente envasada e vendida de volta à rede varejista, para ficar à disposição do consumidor. Segundo a Agência Ambiental Alemã (UBA), uma garrafa de vidro pode ser reutilizada até 50 vezes sem perder a qualidade, e a garrafa plástica reutilizável por até 25 vezes. 

As garrafas de uso único seguem um caminho diferente. Após sua coleta na loja, elas são levadas para uma central de reciclagem, onde são trituradas e transformadas em pequenos grânulos de plástico (pellets), sendo estes transformados em novas garrafas plásticas, tecidos ou outros objetos plásticos, como embalagens de detergente.

 

Eficácia do sistema Pfand na circularidade da economia com uso da logística reversa

O sistema Pfand na Alemanha para reciclagem de reciclagem de bebidas funciona de forma eficaz por estabelecer uma logística reversa, envolvendo o produtor, a loja atacadista, a loja varejista e no fim da cadeia o consumidor, sendo este o maior interessado na recuperação do valor pago como depósito pelo uso do recipiente  (Pfand).

Shoji

 

 

sábado, 5 de novembro de 2022

OBESIDADE NAS ILHAS DO PACÍFICO SUL

 Valorização dos hábitos alimentares locais pretende reduzir os males da obesidade

A obesidade é caracterizada pelo acúmulo de gordura, causada pela ingestão  excessiva de calorias, ou seja, decorre do consumo alimentar maior que o gasto energético correspondente, o que aumenta a massa corpórea e leva o peso a exceder o nível ideal. A obesidade provoca uma predisposição maior a doenças, como problemas de coração, hipertensão arterial, diabetes mellitus tipo II, problemas articulares, apnéia e derrame, acarretando em redução da expectativa de vida em relação a uma pessoa de peso normal. As principais causas da obesidade são o elevado consumo de alimentos altamente processados, normalmente não saudáveis, e o sedentarismo decorrente do crescente conforto propiciado pelas comodidades da vida moderna.

A definição mais usual da obesidade é determinada pelo índice de massa corpórea (IMC), calculado pela divisão do peso pela altura elevada ao quadrado, conforme a seguinte graduação:

·         IMC entre 25 e 30: sobrepeso;

·         entre 30 e 35: obesidade grau I;

·         entre 35 e 40: obesidade grau II (severa);

·         maior do que 40: obesidade grau III (mórbida).

 Países do Pacífico pretendem valorizar alimentação local para reduzir índices de obesidade e incidência de doenças como o diabetes

 Taxa de obesidade em população adulta (%) – ano 2016

ordem

país

obesidade (%)

1

Palau

55

2

Tuvalu

52

3

Tonga

48

4

Samoa

47

5

Kiribati

46

6

Kuwait

38

7

Estados Unidos da América

36

8

Jordânia

36

9

Arábia Saudita

35

10

Catar

35

11

Líbia

33

12

Turquia

32

13

Líbano

32

14

Egito

32

15

Emirados Árabes Unidos

32

Fonte: CIA World Factbook

a) Unreported World: Obesity In Paradise Sophie Morgan  2015

b) Samoa obesity: Activists launch campaign to change locals' diet habits Al Jazeera English 2017

 Entre as razões para a obesidade nas ilhas do Pacífico Sul destaca-se inclusive a percepção cultural de que ter corpo grande é associada a riqueza, poder e beleza. Outro fator é a atribuição de status social mais elevado ao estilo ocidental de alimentação em detrimento aos alimentos locais considerados mais saudáveis. Por essa razão, nas últimas décadas grande parte da dieta local passou a ser composta de alimentos processados, baratos e facilmente disponíveis, altamente calóricos, como o corned beef e bacon, ao invés de alimentos locais frescos e mais saudáveis, como peixe, frutos do mar, frutas e legumes. Outro fator importante é a facilidade de acesso às comodidades da vida moderna que tem aumentado o sedentarismo, inclusive entre as crianças. 

 A disseminação dos maus hábitos alimentares, do sedentarismo e da obesidade  têm levado ao aumento das chamadas doenças não transmissíveis (DNT) nas ilhas do Pacífico Sul, levando por exemplo essa região a ter uma das mais elevadas taxas de incidência de diabetes no mundo, causando problemas de circulação sanguínea e dano ao sistema nervoso, ao coração, olhos e rins e que podem resultar em risco de cegueira, acidentes cerebrovasculares e amputação de membros, comumente os pés e as pernas.

 Como forma de prevenir a piora da saúde pública, alguns dos países do Pacífico Sul tem adotado esforços como o de revalorizar os alimentos locais saudáveis, e que podem ser encontrados em grande abundância na região, como ocorre na ilha de Samoa.  

Shoji