1/3 das geleiras do Patrimônio Mundial podem desaparecer até 2050
O Relatório do Painel Intergovernamental
sobre o Clima (IPCC) da ONU, divulgado em 09.08.2021, alerta que a Terra está
esquentando mais rápido do que era previsto, podendo atingir 1,5º C acima do
nível pré-industrial entre 2030 e 2040, ou seja, pelo menos 10 anos antes do
esperado. Ou seja, desde 1850, a temperatura média da Terra aumentou ao menos
1,1º C e mais no mínimo 0,4º C vai agravar os prejuízos ambientais como secas
severas, ondas de calor, chuvas torrenciais e consequente enchentes catastróficas,
tornados, incêndios florestais, aceleração do derretimento das geleiras, elevação
do nível do mar e provável submersão de vários países insulares.
Ref.: a) Unesco alerta para o fim de um terço das
geleiras até 2050 Record
News 04.11.2022
b) Derretimento das geleiras já se tornou
irreversível, aponta especialistas Fala Brasi nov 2020
Geleiras emblemáticas podem
desaparecer até 2050
Um estudo da Organização das
Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (Unesco), da ONU, divulgado em
04.11.2022, destaca o sério risco associado ao derretimento acelerado de
geleiras, sendo que algumas das massas de gelo em locais do Patrimônio Mundial mais
emblemáticos do mundo devem desaparecer até 2050. 50 locais do Patrimônio
Mundial da Unesco abrigam geleiras, representando quase 10% da área total de
massas de gelo da Terra, incluindo o mais alto, próximo ao Monte Everest, o
mais longo, no Alasca, e os últimos glaciares restantes na África. Entre as
geleiras que podem desaparecer até 2050 destacam-se: as dos Pirineus Mont Perdu (França e Espanha), das Dolomitas (Itália), as
geleiras do Parque Nacional do Kilimanjaro e do Monte Quênia (África) e as dos
parques nacionais de Yosemite e Yellowstone (EUA).
Esses patrimônios mundiais estão perdendo 58 bilhões de toneladas de gelo
a cada ano, volume de água equivalente ao consumo anual de água na França e
Espanha, contribuindo para 5% do aumento global observado no nível do mar.
Deve-se destacar ainda que metade da humanidade depende direta ou indiretamente
das geleiras como fonte de água para uso doméstico, agricultura e energia, e o
seu derretimento acelerado ainda aumenta o risco de
desastres naturais.
Derretimento de geleiras da
Groelândia
Uma das regiões mais críticas na
perda de geleiras concentra-se na Groelândia. Segundo dados publicados na revista científica Nature Communications
Earth & Environment em ago/2020, as camadas de gelo da Groenlândia encolheram
a um ponto irreversível, situação em que a queda de neve não está sendo mais suficiente para reabastecer as
geleiras das camadas de gelo perdidas pelo derretimento no verão. Em outras
palavras, o gelo que está sendo dissolvido no oceano ultrapassa a
neve que se acumula na superfície do manto das geleiras.
O
encolhimento das geleiras na Groenlândia é um problema para todo o planeta,
pois o gelo que derrete ou se desprende dos mantos de gelo da Groenlândia acaba
no Oceano Atlântico e, consequentemente, espalha-se por todos os oceanos do
mundo, fazendo com que a perda de gelo na Groenlândia acaba sendo um dos
principais contribuintes para o aumento do nível do mar ao ritmo de pelo menos 1
mm por ano.
O grande desafio ao Mundo no combate
aos efeitos do aquecimento global
Mas, o relatório da Unesco destaca que ainda é possível salvar
os outros 2/3 das geleiras do Patrimônio Mundial, se o aumento da temperatura
global não ultrapassar 1,5°C até o, o que constitui um dos grandes desafios
enfrentados pela 27ª Conferência sobre Mudanças Climáticas das Nações Unidas (COP27) que se realizou em nov/2022, em Sharm
El-Sheikh no Egito. Mas os resultados das inúmeras conferências sobre mudanças
climáticas têm sido mais na manifestação de boas intenções do que no alcance de
resultados práticos, fato esse que causou a ausência na COP27 de um dos grandes
ícones mundiais no combate ao aquecimento global, a garota norueguesa Greta Thunberg.
Shoji