Depois do encontro marcante no dia 27.04.2018, entre os 2 líderes das Coréias do Norte e do Sul, Kim Jong-Un e Moon Jae-In, na Zona Desmilitarizada, na fronteira entre os 2 países, verificou-se novo fato histórico em 12.06.2018, terça-feira, com o encontro inédito entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, no luxuoso hotel Capella, na ilha de Sentosa, em Singapura, após sérias ameaças de parte a parte para o cancelamento dessa reunião.
O sinal mais importante desse fato é o de que ambas as partes renunciam ao uso de recursos extremos, como a recorrência às armas nucleares, para a solução dos conflitos históricos que duram ao menos quase 70 anos.
O documento assinado nesse dia pelos líderes Trump e Kim abrange 4 pontos:
1. EUA e Coreia do Norte se comprometem a estabelecer relações de acordo com o desejo de seus povos pela paz e prosperidade;
2. Os 2 países farão esforços para construir um regime de paz estável e duradouro na península coreana;
3. Reafirmando a Declaração de Panmunjon, de 27.04.2018, a Coréia do Norte se compromete a alcançar a completa desnuclearização da península coreana;
4. Os EUA e a Coreia do Norte se comprometem a recuperar os restos mortais de prisioneiros de guerra, incluindo a imediata repatriação daqueles já identificados.
Evidentemente, nem tudo está resolvido entre os 2 países e todas as questões envolvendo os vários outros países da Ásia oriental. Mas representa um primeiro grande passo em direção à maior estabilização dessa região estratégica, com repercussões sobre todo o Mundo. Entretanto, o alcance concreto dos objetivos almejados ainda exigirão novas etapas de duras negociações e a tomada de ações graduais cada vez mais efetivas, como no caso da desnuclearização da península coreana.
Sinais evidentes da disposição de concessão pelo líder norte coreano
Do lado da Coréia do Norte, tudo indica que o líder norte coreano está mais ciente de que a sobrevivência do atual modelo norte coreano é cada vez mais inviável em perspectiva de médio e longo prazos, em função da fragilidade do seu desempenho econômico, que está resultando, por exemplo, em um atraso gradualmente maior em comparação à Coréia do Sul. Por exemplo, para amenizar o pífio desempenho econômico da Coréia do Norte, que ainda tem enormes dificuldades para suprir as necessidades básicas da população, como a de alimentá-la adequadamente, muito provavelmente buscará a gradual liberalização econômica, possivelmente pela recorrência mais objetiva ao modelo chinês, com a adoção mais ampla dos preceitos da economia de mercado.
Ou seja, para a liderança norte coreana é cada vez mais evidente a inviabilidade da manutenção dos rígidos princípios comunistas, como mostram os fatos que resultaram na implosão do sistema econômico comunista na ex-URSS e em todo o conjunto de países que seguiam esse regime. Na Ásia, ao contrário, destaca-se o desempenho positivo como do Vietnam, que, como seguidor do modelo chinês, apresenta um crescimento pujante, com média anual de 7% entre 2000 e 2015.
Soji Soja