sábado, 19 de março de 2016

UM FUTURO CADA VEZ MELHOR Essa Utopia só se tornará realidade com a evolução espiritual de cada ser humano




Nas páginas amarelas da Revista Veja, de 09.03.2106, pg. 13, Peter Diamandis, engenheiro norte americano, de 55 anos, prevê um futuro cada vez melhor para a humanidade.  Para ele, a civilização está cada vez mais pacífica, com melhoria  sustentável da qualidade de vida. E a garantia desse sucesso seria o desenvolvimento contínuo da tecnologia, como força criadora do que não existia e que atua como alavanca para o progresso futuro. Por exemplo, as inovações desenvolvidas ao longo da história resultaram em um progresso inédito nos últimos 100 anos. A longevidade média duplicou, a renda familiar triplicou, o custo da energia reduziu a 1/20 e o de alimentos a 1/30 em relação à situação anterior. E isso não foi resultado do aumento da inteligência humana, mas sim ao advento de novas tecnologias que melhoram continuamente os padrões de vida.
            Não se trata de uma só inovação, mas sim de combinação de vários elementos, entre os quais se destaca o poder computacional, o avanço da inteligência artificial e a formação de redes mundiais.  Ou seja, tecnologias de crescimento exponencial, desenvolvidas em várias frentes e fontes, estão transformando o modo como levamos nossas vidas e aprimoram a capacidade de criação e de produção.  O exemplo desse acúmulo crescente e contínuo de conhecimento e informações pode ser ilustrado pelo fato de que um guerreiro massai no Quênia hoje, com um smartphone, tem acesso a mais informações do que o presidente norte americano poucas décadas atrás.
            A evolução tecnológica contínua tem permitido as mudanças na forma de produção, desde energia até alimentos, com concomitante redução de custo.

Desafios a serem superados
            Grande parte do cenário projetado por Peter Diamandis já é realidade, mas vários monumentais desafios devem ser superados para que esse futuro otimista venha de fato a se concretizar. Entre eles, pode ser destacado o crescente esgotamento dos recursos naturais, ou seja, por mais que a tecnologia crie força produtiva a custos decrescentes, esse processo não pode prescindir totalmente dos recursos naturais.  Outro é a crescente degradação das condições ambientais da Terra, cuja superação entre outros aspectos requer o urgente desenvolvimento de fontes de energia abundantes e não deletérias ao meio-ambiente.
  
Necessidade de evolução espiritual do ser humano
As previsões otimistas do engenheiro Diamandis somente terão chance de serem concretizadas caso o avanço da tecnologia seja acompanhada da correspondente e verdadeira evolução espiritual e moral da humanidade, no sentido de que cada um dos seres humanos venha a praticar efetivamente os preceitos superiores e permanentes que regem a existência e a evolução do Universo, de modo que os benefícios decorrentes da melhoria dos padrões de vida possam de fato ser usufruídos por parcela crescente da humanidade.  

Se essas pré-condições não estiverem presentes, o prometido paraíso futurista será frustrado mais uma vez, com a possibilidade do advento, por exemplo, de regimes totalitários, com a população sendo submetida a estruturas repressivas e com crescente restrição à liberdade individual. 
Soji Soja

sábado, 12 de março de 2016

ECONOMIA CIRCULAR A busca pelo desperdício zero, pelo lixo zero





Conforme artigo na revista Veja, de 27.01.2016, pg. 84, a Fundação Ellen MacArthur foi criada em 2010 com o objetivo de promover a chamada “economia circular”, modelo pelo qual se tenta aproveitar todos os insumos utilizados na fabricação de um produto, sem produzir lixo, com o fim de eliminar o desperdício. Para isso, nos últimos 5 anos, a Fundação Ellen MacArthur tem incentivado a adoção da economia circular pelas empresas, universidades, governos e ONGs.
Segundo esse conceito, o que hoje se considera lixo é, na realidade, fonte de matéria-prima para novos produtos, propiciando-se assim oportunidade de negócios para produzir de forma sustentável.
A economia circular contrapõe  o atual modelo que pode ser chamado como economia linear, baseado em extrair, transformar e descartar,  o  que depende de grandes quantidades de materiais de baixo custo e fácil acesso, além do uso intensivo de energia.  Entretanto, esse modelo é claramente insustentável a longo prazo, pois os estoques de insumos e matérias-primas são finitos e um dia poderão ser esgotados, se for mantido o atual ritmo de uso de materiais e insumos. 
Conceitualmente, a economia circular é regenerativa e restaurativa, ou seja, seu objetivo é manter produtos, componentes e materiais em seu mais nível de utilidade e valor o tempo todo.  Assim, a economia circular consiste em um ciclo de desenvolvimento positivo contínuo que preserva e aprimora o capital natural, otimiza a produção de recursos e minimiza riscos sistêmicos administrando estoques finitos e fluxos renováveis.

Alguns exemplos empresariais de sucesso
A fabricante francesa de carros Renault, por exemplo, criou uma fórmula pela qual reaproveita 85% dos automóveis velhos ou danificados na fabricação de novos carros ou para a venda de peças. Além do reaproveitamento, outra vantagem é a economia de energia, que deixa de ser usada na produção de novas peças.
A americana Cisco tem um serviço de recuperação de itens usados por seus clientes. Para tanto, a cada ano recolhe 12 mil toneladas de objetos da marca, dos quais 25% são restaurados para revenda, sendo o restante reciclado, descartando-se somente 0,2%.
A multinacional sueca H&M, a partir de 2013, passou a recolher de seus clientes peças de vestuário não mais utilizadas, em troca de um voucher de desconto. Das peças recolhidas, 60% são refeitas e revendidas como roupas de 2ª mão, de 5% a 10% são reutilizadas em outros produtos, e o restante é usado para produzir peças para a indústria automobilística.  
Soji Soja


sábado, 5 de março de 2016

BRASIL ESTÁ ATRASADO NA REDUÇÃO DO USO DE SACOLAS PLÁSTICAS Bons exemplos a serem seguidos no Mundo



Com base em algumas boas práticas já adotadas no Brasil, e, em função do advento da Política Nacional de Resíduos Sólidos, por meio da Lei nº 12.305, de 02.08.2010,     a distribuição gratuita de sacolas plásticas nos estabelecimentos comerciais deveria ser  vedada  em todo o território nacional,  considerando-se o impacto ambiental causado por esses materiais de difícil decomposição.  Entre outras determinações previstas nessa Lei, uma estabelece a eliminação de todos os lixões a céu aberto até agosto de 2014, o que de fato poucos municípios brasileiros conseguiram cumprir.

Experiências exitosas em vários países
No Mundo, diversas iniciativas surgiram como resposta à necessidade de reduzir o consumo das sacolas plásticas, podendo-se destacar algumas.
Irlanda – Em março de 2002, visando a redução do volume de lixo, a Irlanda instituiu a cobrança de taxa de 15 centavos de euro por sacola, que teve impacto imediato na redução de 94% no consumo, de cerca de 330 para 21 sacos por habitante/ano. Como alternativa às sacolas plásticas, o comércio disponibiliza sacolas retornáveis. Em 2006, como o consumo per capita/ano subiu para 31, a taxa foi elevada para 22 centavos de euro, podendo haver novo aumento da taxa sempre que se verificar incremento no uso da sacola plástica.
Reino Unido – Em dezembro de 2008, os 7 maiores supermercados britânicos, representados pelo British Retail Consortium (BRC), assinaram acordo voluntário com o governo para reduzir em 50% o consumo de sacolas plásticas até o final de maio de 2009. A redução de 870 milhões de sacolas plásticas em maio/2006 para 452 milhões em maio/2009, de 48%, ficou muito próxima da meta almejada de 50%, por efeito das ações de educação e incentivo, como a comunicação com os consumidores, programas de fidelidade e recompensa, treinamento de funcionários e campanhas de reciclagem.
América do Norte – Os EUA e o Canadá não possuem legislação nacional sobre as sacolas plásticas, de modo que as unidades estaduais e municipais têm autonomia para tratar do assunto, tais como:
São Francisco, EUA – Em dezembro de 2007, por efeito da legislação local, os supermercados de grande porte, com receita anual bruta acima de US$ 2 milhões, bem como redes de farmácias, deixaram de distribuir sacolas plásticas, permitindo-se apenas sacolas compostáveis, sacolas de papel feitas no mínimo com 40% de conteúdo reciclado pós-consumo, ou sacolas reutilizáveis. Por sua vez, o governo investiu em campanhas de divulgação e realizou a distribuição de milhares de sacolas de lona feitas a partir de retalhos de tecidos.
Oakland, EUA – A legislação local determinou, a partir de julho de 2007, a promoção pelos varejistas de Oakland de campanhas educativas sobre a importância do uso de sacolas retornáveis, além da criação de incentivos para esse uso, como créditos e descontos para os consumidores portadores de sacolas retornáveis. Também foi proibida a distribuição de sacolas plásticas não-biodegradáveis e derivadas de petróleo, permitindo apenas a utilização de sacolas de papel reutilizáveis, compostáveis ou recicláveis.
Washington, EUA – A partir de janeiro de 2010, passou a ser cobrada taxa de cinco centavos de dólar por sacola plástica ou de papel utilizada em estabelecimentos que comercializam alimentos ou bebidas, determinando ainda que os valores arrecadados sejam destinados ao financiamento da despoluição do rio Anacostia..
Toronto, Canadá – Desde junho de 2009, os varejistas estão obrigados a cobrar uma taxa mínima de 5 centavos por sacola plástica solicitada pelo consumidor. O Conselho da cidade de Toronto incentiva os varejistas a reinvestirem as receitas da venda das sacolas plásticas na própria comunidade ou em iniciativas ambientais, além de  informarem aos clientes sobre a destinação desses recursos. Com isso, objetiva-se reduzir o envio de resíduos aos aterros sanitários em 70%.
Na África, podem ser destacadas 3 países que possuem legislação sobre a produção, comércio e consumo de sacolas plásticas:
Ruanda – Desde 2005, foi banida a importação e uso de sacolas plásticas com espessura inferior a 100 micras e, em 2008, foi sancionada lei que proíbe a fabricação, importação, uso e comercialização de sacolas plásticas, com penalidade que varia da multa à reclusão de 6 a 12 meses.
Botswana – Uma lei federal de 2007 estabeleceu a cobrança de taxa sobre sacolas plásticas e proibição de fabricação e importação de sacolas com espessura inferior a 24 micras, com a penalidade variando da multa a 3 anos de prisão.
África do Sul – Em 2003, foi proibida a fabricação, comércio e distribuição comercial de sacolas plásticas com espessura inferior a 24 micras. Foi criada ainda taxa de 3 centavos por sacola plástica para subsidiar a empresa responsável pela sua reciclagem, variando a penalidade de multa à prisão por até 10 anos.
China – Em junho de 2008, entrou em vigor a lei que proíbe os varejistas de distribuir gratuitamente sacolas plásticas aos clientes, podendo a  multa chegar a 1500 dólares. As sacolas plásticas devem respeitar os padrões nacionais de qualidade, estando vedadas aquelas com espessura inferior a 25 micras.
Cingapura – Em fevereiro de 2006, foi lançada a campanha Less Plastic Bag (Menos Sacolas Plásticas) para estimular os consumidores a utilizarem sacolas retornáveis como alternativa às sacolas plásticas. Para tanto, os varejistas devem disponibilizar sacolas retornáveis a baixo custo, exibir material publicitário da campanha e incentivar os consumidores a utilizarem menos sacolas plásticas.
Soji Soja