sábado, 30 de novembro de 2024

FUGINDO DA DOUTRINAÇÃO DE ÓDIO NA INFÂNCIA

 Dor Shachar encontrou em Israel a motivação para se converter ao judaísmo

Dor Shachar nasceu em 1977 em Khan Yunis, na Faixa de Gaza, como Ayman Abu Sobuh mas aos 13 anos fugiu para Israel onde aos 28 anos se converteu ao judaísmo   adotando o nome de Dor Shachar. Ele recorda que desde os 6 anos aprendia na escola que era honroso lutar e matar judeus e caso fosse morto nessa luta seria transformado em mártir e recompensado no paraíso. Desde a infância ele via os horrores nas ruas de Gaza e o destino daqueles suspeitos de cooperar com Israel. Eles eram arrastados pelas ruas, tinha as mãos decepadas e depois decapitados e seus corpos pendurados em postes de luz. Assim, anos depois ao ouvir sobre o massacre feito pelo Hamas em 07.10.2023 não ficou nada surpreso com a magnitude dessa macabra mortandade.

 

Ref.: The Palestinian From Gaza Who Converted to Judaism i24NEWS English nov 2021

Ambiente familiar e escolar dominado pelo ódio aos judeus

O pai de Dor era violento e mesmo tendo trabalhado em Israel por 27 anos defendia a morte dos judeus. O sonho de Shachar era ser médico, mas seu pai o forçou a trabalhar em uma construção desde os 12 anos de idade. Por contrariar as ameaças do pai pela sua discordância com o que era ensinado às crianças na escola e nas ruas, ele resolver fugir para Israel aos 13 anos e só voltou a Gaza aos 19 anos.

 Nova visão de vida em Israel

Em Israel começou a trabalhar em uma obra onde conheceu Nissim Ozen que se tornaria seu pai adotivo. Após ser adotado por Nissim e ter se encantado com o modo de vida em Israel, Dor decidiu-se converter ao judaísmo. Ao ser levado ao rabino, e diante da impossibilidade de obter a autorização da família dele para isso, o rabino instruiu-o a esperar até completar 18 anos. Ao completar 18 anos, ele voltou a procurar o rabino mas este informou-lhe, que devido à piora no status de segurança no país, ele precisaria de uma permissão especial do Estado para ficar no país. Aos 19 anos, por estar em situação irregular em Israel ficou preso por 45 dias. Ao retornar a Gaza para juntar algum dinheiro foi preso, espancado e torturado por ter passado tanto tempo em Israel.

 Finalmente a conversão ao judaísmo

Ao ser solto, fugiu novamente a Israel, conseguiu um emprego de segurança em um shopping center e 7 anos depois recebeu a aprovação para estudar o judaísmo e se converter a essa religião e conseguir a nacionalidade israelense aos 28 anos com o nome de Dor Shachar. Posteriormente, escreveu o livro “From Khan Yunis to Mount Sinai” e começou a fazer palestras sobre a sua sacrificada vida e esclarecer tudo o que realmente ocorre em Gaza. Em 2020, casou-se sob lei judaica com Edith uma imigrante da Hungria convertida também ao judaísmo, que conheceu pela Internet e vivem em Rishon LeZion.

Dor considera a família de Nissim Ozen como a sua e não mantém qualquer relação com a sua família biológica pois não faria bem o relacionamento com a família onde na sua infância prevalecia o ódio e não o amor.

 A trajetória de vida de Shachar lembra a do filho do Hamas

A mudança na vida de Shachar tem semelhança com a profunda transformação pessoal tida pelo Mosab Hassan Yousef, nascido em 1978 na Cisjordânia, mais conhecido como o filho do Hamas, que teve uma jornada de redescoberta espiritual, que culminou na sua conversão ao cristianismo e na crença de que “tolerar e perdoar seus inimigos” é o único caminho para a paz duradoura no Oriente Médio.  

Ao contar a sua história no livro “Filho do Hamas”, Mosab teve o objetivo de mostrar ao seu povo, os palestinos seguidores do Islã, que têm sido usados por regimes corruptos há centenas de anos, e que a verdade pode libertá-los.  Ou seja, não adianta apenas culpar Israel e o Ocidente por todas as desgraças e dificuldades enfrentadas pelos palestinos, se eles mesmos não tomarem a firme resolução para definir o melhor caminho para a redenção do seu povo.  

 

Cingapura como exemplo de uma nação exitosa em um território pequeno

A Faixa de Gaza é um território pequeno, mas pode ser berço para a construção de uma nação pacífica e próspera, como mostra a trajetória seguida por Cingapura, que com território pouco maior, desde a sua independência em 1965 se transformou em um país desenvolvido, em termos tecnológicos, econômicos, sociais e de convívio harmonioso entre diferentes povos e religiões.

Shoji

 

sábado, 16 de novembro de 2024

JACARTA AFUNDA POR SUBSIDÊNCIA DO SOLO

 Nusantara é a nova capital da Indonésia no centro geográfico do país

Desde 17.08.2024, Nusantara é a nova capital da Indonésia, substituindo Jacarta, que ocupava essa posição não somente após a proclamação da independência do país em 1945 mas desde os tempos coloniais holandeses no século XVII. A localização de Nusantara foi escolhida por estar no centro geográfico da Indonésia, na Província de Kalimantan Oriental na costa leste da Ilha de Borneo, e por estar sob menor risco de desastres naturais como inundações e terremotos. A nova capital é cercada por montanhas, florestas e uma baía natural, mas a sua construção é cercada de muitos obstáculos, por requerer investimentos privados vultosos, de modo que o seu pleno desenvolvimento levará muitos anos para a sua consolidação, esperando-se que em 2045 atinja 1,9 milhão de habitantes.

Apesar do planejamento governamental de desenvolver a cidade de forma sustentável, em harmonia com a floresta, ou seja, uma capital com ecossistema inteligente, há preocupação de que a construção da cidade degrade o meio ambiente, principalmente os essenciais manguezais e pela flagilização da cobertura florestal, além, de reduzir ainda mais o habitat de espécies animais ameaçadas como orangotangos e macacos de nariz longo.

 

Ref.: Is Indonesia’s plan to save Jakarta by building a new capital a ‘massive ecological disaster'? Eeuronews nov 2023

O principal motivo para a mudança de capital é o afundamento de Jacarta

Além da expectativa de ganhos estratégicos, econômicos, sociais e de infraestrutura futuros, apresentado pelo presidente indonésio Joko Widodo, para justificar a construção da nova capital com investimentos astronômicos, a principal motivação situa-se no fato de Jacarta, a maior metrópole do país e um dos maiores do mundo, com 12 milhões de habitantes, estar literalmente afundando a um ritmo alarmante, podendo a maior parte da cidade ficar submersa até 2050. Jacarta foi erguida em área pantanosa, no Mar de Java, cercada por uma grande floresta tropical e banhada por um grande delta cortado por 13 rios. Durante séculos, o delta permaneceu envolvido por densos manguezais que ofereciam proteção natural contra as fortes ondas e marés nas tempestades. Nas últimas décadas, porém, os eventos extremos provocados pelas mudanças climáticas aumentaram de forma alarmante a frequência e a intensidade das cheias.

 

Afundamento por retirada descontrolada de água subterrânea

Adicionalmente, o solo onde se assenta Jacarta está afundando ao ritmo de 1 a 15 cm ao ano, sob o efeito do fenômeno geológico, topográfico e geográfico chamado subsidência ou abatimento. É um movimento para baixo de uma área, no caso de Jacarta, causado pela retirada descontrolada de água do subsolo, fenômenos tectônicos, ritmo intenso e descontrolado de urbanização e compactação de depósitos que perdem água. Enfim, o afundamento de Jacarta é decorrente da conjugação de série de fatores, os quais se caracterizam pela sua dessintonia com a sustentabilidade ambiental.

 

O tempo para salvar as grandes florestas tropicais é cada vez mais curto

O tempo para salvar as grandes florestas tropicais na Indonésia como na Amazônia e Congo é cada vez mais curto mas para isso é imprescindível reduzir drástica e efetivamente o desmatamento, chegando à total cessação do desmatamento nos próximos anos. Adicionalmente, deve ser feito grande esforço para restaurar as coberturas florestais em áreas já mais fragilizadas de forma a preservar a grande biodiversidade ainda existente nessas áreas.

Shoji

sábado, 9 de novembro de 2024

PROTESTOS CONTRA O TURISMO EXCESSIVO

 Apesar dos protestos é inexorável o crescimento do turismo mundial

Segundo o Conselho Mundial de Viagens e Turismo (WTTC em inglês), composto de membros da comunidade de negócios tendente a aumentar a conscientização sobre o  setor de viagens e turismo em articulação com governos, a contribuição do turismo sobre o PIB global deve crescer 12% em 2024 em relação a 2023, atingindo o recorde de US$ 11,1 trilhões o que representa 10% do PIB mundial, gerando em torno de 350 milhões de empregos. Isso denota a importância do turismo para a economia mundial, principalmente para alguns países que dependem cada vez mais desse setor econômico.

Isso é resultante do fato de que mais e mais pessoas não só desejam viajar e conhecer outros países e culturas, mas mais pessoas também estão alcançando condições financeiras para dedicar parte do seu tempo e renda para atividades de lazer e turismo, como ocorre com aqueles originários de países emergentes e populosos como Índia e China. Também contribuem para essa tendência os avanços tecnológicos que facilitam e barateiam os meios de transporte, hospedagem e alimentação, além de investimentos em infraestrutura que atraem mais e mais visitantes.

 

Excesso de turismo causa impactos econômicos e ambientais em cidades mais visitadas do mundo

Jornalismo TV Cultura out 2024

Medidas para amenizar os transtornos do turismo de massa

Mas nem tudo é mar de rosas, pois o aumento de visitantes acarreta série de transtornos sobre os moradores em localidades com maior afluxo de turistas que sobrecarregam a infraestrutura insuficiente para isso, com destaque a cidades como Amsterdam, Paris, Milão e Barcelona, entre outras.

Para prevenir o chamado turismo excessivo (overtourism) diversas localidades têm adotado medidas como a da cobrança pela prefeitura de Veneza a partir de abril/2024 da taxa de 5 euros para pessoa que passa somente 1 dia, ou como Paris e Londres que restringem o estacionamento de ônibus nas áreas centrais da cidade. Muitas cidades já estudam proibir as visitas de curta estada com hospedagem por meio de aplicativos como Airbnb. Mas tais medidas além de desgastantes são claramente paliativas que não resolvem o cerne do aumento do fluxo de visitantes.

 Protesto de moradores contra o turismo de massa

O transtorno do excesso de turistas suscitou o surgimento do fenômeno inédito de moradores locais contra a “invasão” de turistas em locais como Barcelona, Madri, Ilhas Canárias e Maiorca entre outras. Mas esse tipo de protesto não tem o apoio da grande massa de pessoas e setores que se beneficiam do turismo.

 Os turistas aumentam por isso devem respeitar melhor os locais visitados

É certo que os turistas devem melhorar o seu comportamento de modo a respeitar mais o conforto dos moradores locais, mas é inevitável que estes por sua vez devem se adequar melhor ao contínuo afluxo de visitantes, na medida que o crescimento do turismo continuará sendo inexorável, principalmente pela sua expressão econômica na geração de renda e emprego. E isso é positivo, pois o turismo é uma forma sadia e sustentável de aumentar a interação e o convívio entre pessoas e povos das mais diversas partes do Mundo. 

Shoji