No artigo na revista Época nº 984, de
01.05.2017, pg. 71, intitulado “Quando os discípulos superam seus mestres”, o
articulista Joel Pinheiro da Fonseca relata sobre a carta aberta escrita pelos professores
do Colégio Santa Cruz, uma escola privada de SP, justificando sua adesão à
greve geral do dia 28.04.2017, decretada em todo o País, mas com baixo nível de
adesão, basicamente em protesto contra as propostas de reformas previdenciária
e trabalhista em trâmite no Congresso Nacional.
Em seguida, o articulista ressalta, com
louvor, a resposta dada por um grupo de alunos, partindo da premissa de que os
professores podem ter boas intenções mas o caminho proposto por eles, contudo,
não levaria a bons resultados. Sem monopolizar a pretensa virtude, mas usando
somente dados e fatos, os alunos levantam aspectos relevantes sobre as reformas
em debate, tais como: o tamanho do déficit da previdência, os aspectos
regressivos do atual sistema previdenciário, o gasto excessivo do País com a
previdência em comparação a outros países, embora seja um país relativamente
jovem, além de benesses injustificadas a determinadas categorias,
principalmente do serviço público, ou seja, se nenhuma reforma importante for
feita, no futuro, a receita pública será usada praticamente só para pagar
previdência e o salário dos servidores.
Mas além do mérito da manifestação
desses alunos neste momento de gravíssimo cenário econômico do País, deve-se
ressaltar que a decretação da greve pelos professores dessa escola privada, além
de ter tido caráter essencialmente política e ideológica, não levou em conta o
prejuízo causado à boa formação educacional dos alunos, que constituem a razão
da existência da escola de boa qualidade, pela qual os pais dispõem a arcar com
custo bastante significativo para a sua manutenção.
Soji Soja