sábado, 2 de agosto de 2025

ESCRITA MANUAL PARA O BEM DO CÉREBRO E DA MEMÓRIA

 Devemos continuar exercitando a escrita manual num mundo digital

Em um mundo onde quase tudo se resolve por teclas, toques e cliques, escrever à mão pode soar antiquado. Mas apesar da praticidade dos dispositivos digitais, a ciência tem mostrado que ao abandonar a escrita manual, estamos deixando para trás habilidades cognitivas valiosas e, possivelmente, um importante caminho de conexão consigo mesmo. O cérebro entra em ação de forma mais ampla na escrita manual. Por ser um processo mais lento, exige que o cérebro selecione, resuma e reinterprete o conteúdo, antes de colocá-lo no papel. Ao fazermos isso, estamos organizando as idéias com as nossas próprias palavras o que fortalece a aprendizagem. A escrita manual envolve uma dimensão mais subjetiva, mas igualmente valiosa, a de servir como ferramenta de autoconhecimento e aliada da saúde mental.

 

Ref.:  A importância da escrita manual para a formação do conhecimento Cristiano H. A. da Veiga julho 2024

Benefícios da escrita manual

A escrita à mão é uma habilidade que envolve vários processos cognitivos, motores e sensoriais, que ativam diversas áreas do cérebro. Quando escrevemos à mão, precisamos coordenar os movimentos da mão e dos dedos, reconhecer as formas das letras, associar os sons às palavras, organizar as idéias, planejar o texto, revisar o que escrevemos e prestar atenção ao que estamos fazendo. Tudo isso exige um esforço maior do que simplesmente digitar, mas traz recompensas gratificantes.

Segundo estudos científicos, a escrita à mão pode trazer os seguintes benefícios:

·         Melhora a memória: estimula a memória de longo prazo, pois cria uma conexão mais forte entre o que escrevemos e o que lembramos. Pelo fato de a escrita à mão ser mais lenta e mais profunda do que a digitação, prestamos mais atenção no que estamos escrevendo e processamos melhor as informações.

·         Favorece a aprendizagem: Devido a complexidade e estímulos variados que a escrita à mão nos exige, nosso cérebro pode fazer conexões facilitando  a aprendizagem e compreensão de novos conteúdos. 

·         Aumenta a criatividade: Enquanto a digitação exige movimentos repetitivos, a escrita à mão nos obriga a variar os movimentos da mão e dedos tornando-a mais fluida e livre. Isso pode contribuir no nosso processo criativo. 

·         Promove a saúde mental: Ao exercitar essa tarefa regularmente, a escrita pode trazer alívio do estresse e beneficiar a saúde mental. 

 A escrita manual como aliada da tecnologia

A tecnologia facilita a nossa vida como escrever e corrigir erros mais rapidamente e compartilhar informações, de modo que muitos já abandonaram o papel e a caneta  preferindo digitar tudo no computador ou no celular.

Assim, na vida moderna não há como rejeitar a tecnologia pois ela oferece inúmeros vantagens e benefícios. Mas devemos usá-los com equilíbrio e sabedoria, entendendo que é uma ferramenta, de modo que ao mesmo tempo que usamos as ferramentas poderosas da tecnologia não devemos abandonar de todo os benefícios propiciados pela escrita manual.

Shoji

 

sábado, 5 de julho de 2025

POPULAÇÃO DE PINGUINS-IMPERADORES DECLINANDO NA ANTÁRCTICA

 Isso seria decorrente do aquecimento global

A população de pinguins-imperadores na Antártica caiu 22% entre 2009 e 2023, uma redução muito mais rápida do que o previsto por modelos computacionais anteriores. O dado alarmante é fruto de levantamento com imagens de satélite analisadas por cientistas do British Antarctic Survey e publicado em 10.06.2025 na revista Nature Communications: Earth & Environment, realizado em 16 colônias de pinguins no Mar de Weddel e no Mar de Belinghausen em  região que  concentra cerca de um terço dos indivíduos da espécie.

O número representa uma queda de 1,6% ao ano e sugere que os pinguins-imperadores podem estar desaparecendo em um ritmo “50% pior” do que os piores cenários já projetados, segundo o pesquisador Peter Fretwell, que liderou o estudo, e a principal causa seria a perda do gelo marinho em que esses animais se reproduzem.

 

Ref.: RISCO DE EXTINÇÃO: filhotes de pinguins-imperadores morrem afogados e congelados na Antártida Jornalismo TV Cultura jul 2024

As causas estão associadas ao aquecimento global

O principal responsável provavelmente é a mudança climática que está afinando e desestabilizando o gelo na área de reprodução dos pinguins. Nos últimos anos, algumas colônias perderam seus filhotes por afogamento ou congelamento, quando o gelo cedeu sob seus pés antes que os filhotes estivessem prontos para enfrentar o oceano gelado com as penas impermeáveis desenvolvidas.

Segundo Fretwell, os pinguins-imperadores são provavelmente o exemplo mais claro do impacto real das mudanças climáticas. Não há pesca, nem destruição de seu habitat, nem poluição que esteja causando o declínio de suas populações. É simplesmente a temperatura do gelo sobre o qual eles se reproduzem e vivem, o que é decorrente da mudança climática.

Além disso o aquecimento provoca outros desafios aos pinguins como chuvas mais intensas ou o aumento das incursões de predadores coma as focas e orcas.

Um filhote de pinguim-imperador sai de um ovo mantido aquecido no inverno pelo macho, enquanto a fêmea empreende uma expedição de pesca de cerca de 2 meses, após a qual retorna à colônia para alimentar o filhote por regurgitação. Para sobreviver sozinhos, os filhotes devem desenvolver penas impermeáveis durante o verão austral.

 O futuro incerto

Segundo um estudo de 2020, os pinguins-imperadores somam cerca de 250 mil casais reprodutivos todos vivendo na Antárctica. Modelos climáticos já projetavam um risco elevado de extinção até o final do século, caso as emissões globais de gases de efeito estufa não sejam drasticamente reduzidas. Segundo os autores, o cenário é grave mas não irreversível. Caso as emissões sejam controladas, ainda é possível garantir a sobrevivência dos pinguins-imperadores nas próximas décadas.

Shoji

sábado, 28 de junho de 2025

DIMENSTEIN: OS MELHORES DIAS DA SUA VIDA

 Seu singelo livro escrito na fase terminal do câncer   

Gilberto Dimenstein, nasceu em 28.08.1956 em São Paulo de uma família judaica. Seu pai era Adolfo Dimenstein, pernambucano de origem ashkenazi polonesa  e sua mãe  Ester Athias, uma paraense de ascendência sefaradi marroquina. Estudou no Colégio I. L. Peretz, em São Paulo e formou-se na Faculdade Cásper Líbero.

 Longa carreira como jornalista, escritor e ativista de projetos sociais

Ref.:Luta do jornalista Gilberto Dimenstein contra câncer é retratada em livro Jornalismo TV Cultura jun 2021

Dimenstein foi colunista da Folha de S.Paulo e atuou na Rádio CBN. Foi diretor da Folha de S.Paulo na sucursal de Brasília e correspondente internacional em Nova York daquele periódico. Trabalhou também no Jornal do BrasilCorreio BrazilienseÚltima Hora, revista Visão e Veja. Foi acadêmico visitante do programa de direitos humanos da Universidade de Columbia, em Nova Iorque.

Por suas reportagens sobre temas sociais e suas experiências em projetos educacionais, Gilberto Dimenstein  foi agraciado com diversos prêmios como o Prêmio Nacional de Direitos Humanos junto com dom Paulo Evaristo Arns, o Prêmio Criança e Paz, do Unicef, Menção Honrosa do Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo de Columbia, em Nova York. Também ganhou os prêmios Esso  e Prêmio Jabuti, em 1993, de melhor livro de não ficção, com a obra Cidadão de Papel      e foi apontado pela revista Época em 2007 como umas das cem figuras mais influentes do país.

Foi um dos criadores da ANDI - Comunicação e Direitos, uma organização não governamental que tem como objetivo utilizar a mídia em favor de ações sociais. Em 2009, um documento da Escola de Administração de Harvard apontou-o como um dos exemplos de inovação comunitária, por seu projeto de bairro-escola, desenvolvido inicialmente em São Paulo, através do Projeto Aprendiz, o qual foi replicado em diversas partes do mundo via Unicef e Unesco.

 

Criador do site Catraca Livre

Foi o idealizador do site Catraca Livre, eleito o melhor blog de cidadania em língua portuguesa pela Deutsche Welle. O objetivo principal do site é agrupar informações que mostrem possibilidades acessíveis e de qualidade, virtuais ou presenciais, em várias áreas da atividade humana, como cultura, saúde, mobilidade, educação, esportes e consumo, em diferentes capitais do Brasil. Presente também no Facebook, rede social na qual possui quase 8 milhões de seguidores, o Catraca se propõe a revelar personagens, tendências e projetos que inspirem soluções comunitárias inovadoras e inclusivas, mas também incita debates envolvendo questões sociais, culturais e políticas.

Segundo o ex-senador Cristovam Buarque, criador do  Bolsa-escola quando era governador do Distrito Federal, Dimenstein foi um dos inspiradores desse programa.

 

Autor do singelo livro sobre os melhores dias da sua vida

Em 2019, foi diagnosticado com um câncer no pâncreas vindo a falecer precocemente em 29.05.2020, aos 63 anos de idade. Nos últimos meses da sua vida, ao mesmo tempo que lutava corajosamente contra o avanço da doença ao lado dos entes queridos e amigos, escreveu com o apoio incansável da sua companheira, a jornalista Anna Penido,  o livro “Os últimos melhores dias da minha vida” em que registra com muita sinceridade os derradeiros momentos da sua existência plena de realizações. Em resumo, para Dimenstein “quanto mais o câncer me subtraia, mais eu conseguia agregar novas dimensões à minha existência; a realidade estava na maneira criativa com que olhava à minha volta; era o meu olhar que fazia o mundo ficar mais belo quando via o colorido das flores refletidas na janela; a felicidade que experimentei nos meus últimos melhores dias não foi provocada por algo extraordinário; nada disso, sentia um contentamento gigantesco pelo simples fato de estar vivo e poder compartilhar os meus últimos melhores dias com as pessoas que me cercavam; aquela sensação era estupenda como deve ser para a taturana quando se reconhece como borboleta”.

Shoji

 


sexta-feira, 20 de junho de 2025

VISITA DA PRINCESA JAPONESA KAKO AO BRASIL

 A visita da princesa Kako vivifica os fortes laços culturais entre o Brasil e o Japão

A princesa Kako de Akishino da família imperial do Japão visitou o Brasil por 11 dias entre os dias 05 e 15.06.2025 como parte das comemorações dos 130 anos do início das relações diplomáticas oficiais entre o Brasil e o Japão estabelecido pela assinatura do Tratado de Amizade Comércio e Navegação em 05.11.1895 em Paris, França.

A princesa Kako tem 30 anos de idade é segunda filha do príncipe herdeiro Fumihito de Akishino e da princesa Kiko, sendo portanto sobrinha do atual imperador Naruhito.

A passagem por terras brasileiras contemplou as cidades de São Paulo-SP, de 05 a 07.06, Maringá-PR, Rolândia-PR e Londrina-PR, em 08 e 09.06, Campo Grande-MS, em 10.06, Brasília-DF, em 11 e 12.06, Rio de Janeiro, em 13.06 e Foz do Iguaçu-PR em 14 e 15.06.

Durante a visita, seguindo o protocolo de segurança, a princesa Kako manteve encontro com diversas autoridades brasileiras federais, estaduais e municipais, e com representantes e membros da grande comunidade nipo-brasileira, que é a maior população nikkei fora do Japão, com cerca de 2 milhão de descendentes e desempenha papel fundamental no fortalecimento das relações culturais e econômicas entre os 2 países.

 

Ref.: 09-06-25 Princesa Kako é recebida com homenagens e celebrações culturais em Londrina – LONDRINA Tarobá | Afiliada Band 09.06.2025

Identificação da princesa com os valores culturais nipo-brasileiros

A princesa Kako demonstrou especial satisfação com a oportunidade de interagir com jovens, crianças e adultos descendentes dos pioneiros imigrantes japoneses ao Brasil, bem como ao assistir as apresentações culturais e performances dos grupos de jovens de músicas, danças e tambores tradicionais, que estão se empenhando fortemente na preservação e divulgação desses valores culturais nipo-brasileiros.

Para os integrantes da comunidade nipo-brasileira foi motivo de muita honra e orgulho em receber a princesa e manter contato tão próximo com um membro da família imperial, pois mesmo no Japão não há tanta oportunidade do cidadão comum estar tão perto de alguém da família imperial.

 A família imperial mais longeva do mundo

A Casa Imperial do Japão, também conhecida como o Trono do Crisântemo, é a mais antiga monarquia contínua do mundo e de acordo com a mitologia japonesa, foi fundada em 660 A.C. pelo lendário imperador Jimmu, que é considerado o primeiro imperador do Japão. Sob a atual Constituição do Japão, o Imperador é "o símbolo do Estado e da unidade do povo". O Imperador como outros membros da família imperial exercem deveres cerimoniais e sociais, mas não têm qualquer papel decisório nos assuntos do governo.  Pelo exercício como símbolo da unidade do povo e pela simplicidade de seus hábitos cotidianos, a família imperial desfruta de enorme prestígio e é muito querida pela população japonesa. A Casa Imperial reconhece 126 monarcas, começando com o imperador Jimmu em 660 A.C, e continua até hoje com o Imperador Naruhito.

 Futuro imperador ou imperatriz do Japão?

Pela atual Lei da Casa Imperial, somente homem pode ser imperador. Assim, caso a lei não seja alterada, nem a filha do atual imperador Naruhito, Aiko, muito menos a sua sobrinha Kako, podem sucedê-lo, podendo essa função ser exercida pelo Hisahito, sobrinho de Naruhito e irmão mais novo da princesa Kako. 

Shoji