sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

URSOS INVADEM CIDADES JAPONESAS

 Autoridades japonesas autorizam uso de armas letais nas cidades para deter o avanço dos ursos em busca de alimentos

Os ursos em busca de alimentos estão cada vez mais presentes nas cidades japonesas, sejam nas estações de trem, templos, ruas, calçadas, lojas e até em pista de aeroporto, aumentando os incidentes com os seres humanos. Por conta disso, em 2025, pelo menos 11 pessoas morreram e mais de 100 ficaram feridas. Os ataques a humanos atingiram um patamar inédito, levando o governo a emitir alertas, fazer treinamento de prevenção em caso de avistamento de ursos, reforços de segurança e até mobilizar as forças de autodefesa (exército). O aumento substancial de incidentes indica um desequilíbrio ecológico, pois o nº de ursos praticamente dobrou no país em 30 anos, chegando a cerca de 45.000 ursos negros, que podem pesar até 130 kg., localizados mais ao norte da ilha de Honshu, e a 12.000 ursos pardos, estes de maior porte que podem chegar a até 400 kg, situados na ilha de Hokaido. Os incidentes com os ursos pardos são menos frequentes por viverem principalmente em áreas protegidas na ilha de Hokaido e por serem onívoros que se alimentam também de javalis, cabras e veados o que ajuda a manter essas populações sob controle. Embora os ursos só reajam com violência quando se sentem ameaçados a sua proximidade representa alto risco ao ser humano pela força e velocidade de deslocamento daqueles animais.

 

Ref.: Ursos invadem áreas urbanas no Japão e geram medo na população Domingo Espetacular set 2025

 

Fatores que levam os ursos a deixar o seu habitat natural

Segundo o Ministério do Meio Ambiente do Japão, o aumento das incursões dos ursos nas cidades está ligado a fatores como:

·         Desmatamento e redução das áreas de floresta nativa, que diminui o acesso a alimentos naturais com o as bolotas (fruto do carvalho) as prediletas do urso;

·         Envelhecimento da população rural, que reduz a presença de humanos em áreas rurais remotas;

·         Crescente despovoamento de áreas agrícolas, que atraem os animais em busca das árvores frutíferas abandonadas;

·         Com a escassez de frutos silvestres e o declínio populacional no interior, ursos têm se aproximado de centros urbanos em busca de alimento.

 Autorização do uso de armas letais para deter o avanço dos ursos

Em função da crescente aproximação dos ursos nas áreas urbanas, as autoridades japonesas em jul/2025 autorizaram os caçadores a usar as armas de fogo caso não seja viável o uso de outros meios como armadilhas para deter o perigo desses animais, desde que que sejam adotadas providências como: aprovação do uso de armas letais por governos municipais; controle de tráfego; evacuação dos moradores locais e  existência  de uma superfície sólida por trás do urso para deter as balas, de modo a garantir a segurança da população ao redor.

 A difícil tarefa de conviver melhor com os ursos

Os conservacionistas têm resistido ao uso de armas letais como meio de deter o avanço dos ursos em áreas urbanas em busca de alimentos. Para isso tem se feito apelos no sentido de desestimular os ursos a fazer incursões pelas cidades como por exemplo pelo uso de meios pacíficos para afastar a aproximação dos ursos pelo uso de alarmes e instrumentos preventivos e idealmente pela melhoria do habitat natural dos ursos mediante recomposição das florestas nativas. Mas essa última tarefa tem se mostrado difícil e com efeitos somente a médio e longo prazos.

Shoji

 

sábado, 13 de dezembro de 2025

LAGO URMIA ESTÁ SECANDO

 Lago Urmia reproduz o desastre ocorrido no Mar de Aral

O Mar de Aral, situado na Ásia Central, entre o Cazaquistão e o Uzbequistão, era até 1960, o quarto maior lago do mundo, com 68.000 km2. Hoje, entretanto, sua área está reduzida a menos de 10%, e acabou ganhando notoriedade como sendo o triste retrato de uma das maiores catástrofes ambientais do Mundo, fruto basicamente da ação humana imprevidente e desastrada. 

 

Processo de encolhimento do Mar de Aral

A morte trágica do Mar de Aral começou basicamente ao fim da 1ª Guerra Mundial quando o então governo comunista soviético começou a desviar parte das águas dos rios que alimentavam o mar de Aral para aumentar a produção de alimentos. Na década de 1930 e 40, os soviéticos reforçaram o plano de transformar a região em uma grande produtora de algodão com a construção dos canais de irrigação que captavam água dos afluentes do mar de Aral,  processo esse que se acentuou mais ainda a partir dos anos 1960.

Ref.: O LAGO que QUASE secou - Lago Úrmia Gustavo Serraiocco dez 2021

 

Efeitos ambientais e econômicos desastrosos no Mar do Aral

A quantidade de água retirada dos rios que abasteciam o mar de Aral duplicou entre 1960 e 2000, assim como a produção de algodão. Nesse período, o Uzbequistão tornou-se o 3º maior exportador de algodão do mundo, porém a um custo muito alto. Por efeito da redução do volume de água, a salinidade do lago quase quintuplicou e matou a maior parte de sua fauna e flora naturais. A outrora próspera indústria pesqueira foi praticamente destruída, assim como as cidades ao longo das margens, gerando desemprego e dificuldades econômicas, o que é muito visível pela abundância de esqueletos de navios e instalações portuárias abandonadas.

Além da redução drástica da área do Mar, as suas águas também ficaram fortemente poluídas, como resultado de testes com armamentos e projetos industriais, e o uso maciço de pesticidas e fertilizantes. As pessoas passaram a sofrer com a falta de água doce e as culturas na região foram prejudicadas pelo sal depositado sobre a terra. Além disso, o vento passou a dispersar o sal a partir do solo seco e poluído, causando danos à saúde pública.

 

Lago Urmia no Irã reproduz o desastre no Mar do Aral

O Lago Urmia, nome que em aramaico significa cidade da água, é um dos principais lagos salgados do Irã, que chegou a ser o maior lago do Oriente Médio e o 6º maior lago endorreico do Mundo, ou seja, entre os lagos que não tem conexão com o mar. Situa-se na parte noroeste do país, perto das fronteiras com o Iraque, Turquia, Azerbaijão e Armênia,  com área de 5.200 km², comprimento e largura máximos de 140 km e 55 km, mas acabou sofrendo um processo de degradação ambiental e econômica bastante semelhante ao do Mar de Aral.

A partir dos meados de 1990 começou a secar e, ao final de 2017, o lago havia encolhido para 10% de seu tamanho original devido a  fatores como secas prolongadas e persistentes no Irã, mais recentemente agravadas com o processo de aquecimento global, mas principalmente pela má gestão da água, com a construção indiscriminada de barragens para irrigação que reduziram o fluxo de água doce para o lago e ao bombeamento de água subterrânea da área circundante.

 

Má gestão da água pelo regime islâmico

A má gestão acentuou-se após a revolução islâmica de 1979, com a queda da monarquia do xá Reza Pahlavi, quando no bojo da política de alcançar a autossuficiência alimentar foi induzida a produção de alimentos básicos mediante a implantação descontrolada de sistemas de irrigação em todos os afluentes do Lago Urmia.

Apesar de esforços do governo iraniano para reverter sua quase completa secagem,  inclusive com o desvio de leitos de água para o lago, imagens recentes em 2025 mostram o lago com cores avermelhadas por microalgas devido à alta salinidade, em processo de recuperação do espelho d'água, mas ainda bastante abaixo do tamanho original, enfrentando desafios contínuos de seca e uso da água. 

 

Situação atual degradante e difícil processo de recuperação

Hoje o lago é dominado por grandes áreas de leito seco, com enorme volume de sal, que causam tempestades de poeira salgada, afetando a saúde respiratória e ocular da população local. Toda a infraestrutura instalada na época áurea do lago como espaço econômico e turístico relevantes, com resorts e embarcações que antes eram populares agora estão encalhados e enferrujados no deserto de sal, como testemunho da degradação sofrida no passado recente. Há esperança entre os habitantes locais, com a água retornando a áreas antes secas, mas a restauração completa é um processo demorado e complexo, em função de décadas de política insustentável que o Lago Urmia sofreu.

 

Lições a serem tiradas dos desastres do Mar de Aral e do Lago Urmia

A grande lição a ser tirada desses 2 desastres ambientais é que a exploração de recursos naturais deve ser feita de maneira parcimoniosa e cuidadosa,  observando e respeitando  os seus limites e as leis científicas que regem a existência e  o funcionamento deste planeta chamado Terra. 

Shoji

sábado, 6 de dezembro de 2025

SUPERPENDURICALHOS: FLAGELO DO BRASIL

 A PEC 38/2025 da Reforma Administrativa prevê a contenção dos supersalários mas será aprovada e quando?

É notório que o sistema judiciário brasileiro é moroso, burocrático, complexo, pouco acessível à população, ou seja, tem baixa efetividade mas com elevado custo à sociedade. Segundo levantamento feito pela STN, do Ministério da Fazenda, divulgado em 24.01.2024, as despesas do sistema judiciário brasileiro incluindo os ministérios públicos alcançaram em 2022 1,6% do PIB, o mais elevado entre os 56 países analisados, muito acima da média mundial de 0,37% em 2021, de 0,5% dos países em desenvolvimento e de 0,3% daqueles mais avançados. A maior parte das despesas é concentrada em salários e benefícios e pouco em melhorias e investimentos para tornar a justiça mais rápida, eficiente e menos onerosa.

 

Ref.: Brasil dos Privilégios: os supersalários de juízes e promotores no país UOL Prime mar 2025

Penduricalhos elevam a remuneração acima do teto constitucional

A elite do serviço público constituído pelos juízes, procuradores e promotores ultrapassam o teto remuneratório constitucional do funcionalismo público, atualmente  de R$ 46.366,19 mensais nos termos da Constituição Federal art.37, XI, correspondente ao salário do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), mediante o recebimento de diversos auxílios, gratificações, verbas, ajudas de custo, que podem chegar ao total de 32, muitos dos quais não estão sujeitos ao limite do teto e nem à cobrança do Imposto de Renda (IR).

 Gastos substanciais com a elite do serviço público

Esse descalabro da elite do serviço público ao País é demonstrado cabalmente pelo estudo do Centro de Liderança Pública com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD Contínua), de 2022, do IBGE, conforme artigo do Jornal ESP (“Estadão”), de 17.07.2023, pg. B1, segundo o qual a casta dos servidores públicos que ganha acima do teto do funcionalismo (de R$ 44.008,52 mensais em 2024), custa R$ 3,9 bilhões aos governos federal, estaduais e municipais, sendo R$ 2,54 bilhões aos Estados, R$ 900 milhões a União e R$ 440 milhões aos municípios. Em 2022, 25,3 mil faziam parte desse grupo seleto, representando 0,23% dos servidores estatutários.

 Privilégios escancarados no livro do Bruno Carazza

Esse abuso da elite do serviço público perante a sociedade é dissecado por Bruno Carazza, servidor público licenciado, em seu excelente livro “O país dos privilégios”, vol.1, da Cia das Letras, de 2024. Esse autor descreve detalhadamente como a elite do serviço público exerce seu poder e de articulações jurídicas e administrativas para criar privilégios inacessíveis a outras carreiras do funcionalismo e muito menos ao cidadão comum. Com isso, por exemplo, segundo o levantamento divulgado pelo STJ, em 2023, 93% dos juízes, desembargadores e ministros dos tribunais superiores tiveram rendimento mensal superior ao teto constitucional.

 Os gastos com supersalários só aumentam

Segundo estudo do Movimento Pessoas à Frente e República.org divulgado em novembro/2025, pouco mais de 53 mil servidores ativos e inativos no país recebem acima do teto constitucional, de R$ 46.366,19 mensais, representando 0,06% dos servidores, e está concentrada em poucas carreiras, principalmente no Judiciário e no Ministério Público.  Os gastos com pessoal pela União e Estados acima do teto constitucional totalizaram R$ 20 bilhões entre agosto/2024 e junho/2025, sendo que entre os 53 mil servidores, 21 mil fazem parte da magistratura, como juízes e desembargadores estaduais, com gasto de R$ 11,5 bilhões.  Nos Ministérios Públicos, 10,3 mil integrantes ganharam acima do teto, somando R$ 3,2 bilhões. Embora sejam predominantes no Judiciário e no Ministério Público, os supersalários ocorrem em outros Poderes, como os 12 mil no Executivo Federal e 1.000 na Câmara dos Deputados.

A diferença em relação à maioria absoluta do funcionalismo público é abismal, pois de acordo com a RAIS (Relação Anual de Informações Sociais), metade dos servidores públicos do Brasil, cerca de 6,2 milhões de pessoas, recebe até R$ 3.391 mensais.

 Como o teto constitucional é vilipendiado

O principal motor dos supersalários são as chamadas verbas indenizatórias, como auxílio-moradia, auxílio-saúde, auxílio-livro, gratificações de substituição, por plantões e por diversos outros motivos. Essas verbas foram criadas para reembolsar despesas específicas, mas passaram a funcionar como uma espécie de segunda folha salarial. Como esses valores são classificados como “não remuneratórios”, eles não são considerados no teto constitucional configurando uma prática desonesta e totalmente imoral. Sem controle externo e auditoria independente, transformaram-se em instrumentos de recomposição remuneratória fora de qualquer controle legal.

O mecanismo de criação e aumento de verbas não remuneratórias se disseminou pela combinação de fatores como normatizações internas de tribunais e órgãos autônomos e decisões judiciais que consolidaram benefícios provisórios, além de uma dinâmica de competição corporativa em que cada carreira busca reproduzir vantagens concedidas a outras, configurando a “isonomia por cima”.

 Proposta da PEC da Reforma Administrativa tenta acabar com os supersalários

A PEC 38/2025 da reforma administrativa propõe um conjunto de mudanças para alterar regras que organizam o funcionamento da administração pública, entre as quais destacam-se aquelas tendentes a acabar com os privilégios absurdos do serviço público, tais como:

·         Fim de férias superiores a 30 dias por ano e de adicional superior a 1/3 da remuneração do período de férias, considerando-se que hoje juízes e promotores do Ministério Público têm direito a 60 dias;

·         Progressão na carreira com efetiva gestão de desempenho, que não se paute apenas no tempo de serviço;

·         Verbas indenizatórias devem ter natureza reparatória, além de serem episódicas, eventuais e transitórias e respeitem ao teto orçamentário;

·         Vedação da chamada “isonomia por cima” entre Ministério Público e magistratura; e

fim da aposentadoria compulsória como punição para magistrados e membros do Ministério Público, substituindo-a pela perda do cargo ou demissão em casos de faltas graves, para acabar com a prática segundo a qual o servidor punido pode ser afastado, mas continua recebendo a aposentadoria com proventos integrais. 

Shoji