Pesca predatória ameaça a capacidade de reposição do ecossistema marinho
Os oceanos e
mares sempre foram extremamente importantes para a humanidade, principalmente
em razão da atividade pesqueira, que é para muitos países uma das principais
fontes de renda, de alimentação de proteína animal, bem como na geração de emprego
para parcela substancial da sua população.
Nas últimas décadas,
para elevar a produtividade da atividade pesqueira, os países mais dedicados à
pesca comercial passaram a investir em tecnologias cada vez mais avançadas, com
embarcações de porte sofisticadas munidas de câmara fria para armazenamento,
radares para identificação de cardumes, sistema de posicionamento global (GPS),
além de moderno sistema de industrialização do pescado.
a) Greenpeace - Pesca de arrasto de profundidade 17 de fev. de
2010 mcrost01
b) Pesca de arrastre: impacto sobre el medio
ambiente -G5 6 de mar. de 2017 Lunes
Verde en Red
Risco da sobrepesca e pesca
predatória
Entretanto, a alta demanda por
produtos pesqueiros e a elevação tecnológica dos meios de captura têm levado a atividade
pesqueira a ser executada de forma desenfreada, excessiva e até insustentável,
caracterizando-se a insustentabilidade e a sobrepesca, quando se pesca acima da
capacidade populacional desses ecossistemas de se reproduzir e desenvolver, ou
seja, não dando às espécies aquáticas a oportunidade de se reproduzir em ritmo
adequado, o que no futuro previsível, reduzirá o nível ótimo de
pesca.
Enfim, a sobrepesca é considerada uma ameaça para
a biodiversidade marinha e assume uma postura
devastadora sobre os ecossistemas aquáticos, por não levar em conta
a capacidade de reposição das espécies exploradas.
As más práticas da atividade
pesqueira é uma das causas de destruição ao ambiente marinho, como a pescaria
com redes de arrastão, segundo a qual as redes são jogadas até o fundo do mar para
a captura das espécies comerciais, mas nessa prática comumente são trazidas
também espécies de pequeno tamanho não adequado para comercialização bem como outras
espécies sem valor comercial, como os golfinhos, tartarugas, tubarões, corais, algas e até baleias, sendo que
a maioria dessas espécies são devolvidas ao mar sem vida, causando prejuízos
incalculáveis à vida marinha.
O esforço de pesca excessiva começou a virar um
problema entre 1950 e 1989, com o desenvolvimento de equipamentos e a
introdução de técnicas que permitiram uma melhor eficiência na pesca comercial.
A captura excessiva tem resultado já no desaparecimento de algumas espécies de
peixes bem como à redução nos estoques de pescados. Segundo a Organização
das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), 77% das
espécies com valor comercial estão afetadas a um maior ou menor grau de excesso
de pesca (8% levemente, 17% em sobre exploração e 52% em sobre-exploração
máxima).
Apesar da enorme
pressão do mercado global por proteína marinha, que estimula a pesca comercial
de escala industrial, a captura das espécies oceânicas só é renovável se for
explorada com manejo ecossistêmico, ou seja, respeitando-se a capacidade de
manutenção dos estoques, evitando a pesca em períodos de reprodução e
desenvolvimento juvenil, bem como não utilizando formas agressivas ao meio
ambiente marinho como a rede de arrastão.
A prática da sustentabilidade ambiental
deve-se basear em alternativas ecologicamente corretas, economicamente viáveis,
socialmente justas e culturalmente diversas, de modo que ser sustentável é
respeitar o meio ambiente, suprindo as necessidades da atual geração, sem,
entretanto, comprometer o sustento das futuras gerações. Ou seja, devemos estar
sempre conscientes que o espaço deste Planeta é finito, de modo que seus recursos
naturais não são inesgotáveis, ao contrário, são limitados e devem ser usados levando
em conta a viabilidade futura da humanidade.
Shoji