sábado, 11 de agosto de 2018

ÁGUA SERÁ MAIS PRECIOSA QUE O PETRÓLEO!!!


Cidade do Cabo poderá ser a primeira metrópole moderna a não ter água no Mundo





A escassez de água é um problema cada vez mais presente e só tende a se agravar em escala mundial. Embora a água represente 75% da Terra, a maioria absoluta está concentrada nos mares e oceanos, de modo que 97% da água do planeta é imprópria ao consumo humano por ser salgada.  
Do restante que é doce, a maioria está congelada nas regiões polares e outro tanto é de difícil acesso no subsolo, de modo que somente 1% da água do planeta encontra-se em locais facilmente acessíveis ao homem. Desse 1%, a maior parcela é destinada à irrigação agrícola e outro tanto para uso industrial, sobrando pouco para o consumo humano propriamente dito.   
Segundo a ONU, a água representa um dos maiores riscos globais para o progresso econômico, paz e segurança, erradicação da pobreza e desenvolvimento sustentável. No mundo, 40% das pessoas são afetadas por falta de água e mais de 2 bilhões bebem água insegura para consumo e 4,5 bilhões não têm acesso a serviços sanitários.  Em todo o mundo, 80% da água usada é devolvida ao meio ambiente sem tratamento. Cerca de 90% dos piores desastres naturais humanitários desde os anos 1990 estavam relacionados com a água, como cheias e secas.
A insuficiência de água afeta praticamente todas as partes do planeta, mas o problema é mais agudo em certas regiões, como o Oriente Médio e a África. Assim, a  ONU alerta  que 700 milhões de pessoas no mundo correm risco de serem deslocadas devido à falta de água até 2030. Dessa forma, o suprimento de água está se tornando tão ou mais importante como a disponibilidade de recursos naturais, como o petróleo,  de modo que tende a  se tornar fonte de conflitos sérios  entre países e aglomerações humanas, como já está ocorrendo em determinados locais.  

Ameaça do Dia Zero na Cidade do Cabo na África do Sul
A cidade do Cabo, com 4 milhões de habitantes, pode se tornar a primeira metrópole moderna a ficar sem água em suas torneiras nos meses finais de 2018.  Para evitar esse desastre, o governo local decretou a partir de 01.02.2018, um severo racionamento de 50 litros diários de água por pessoa, o equivalente a um banho de 5 minutos, ficando o infrator sujeito a uma pesada multa.  
Esse drástico racionamento está relacionado a fatores como:  (i)  a fraca intensidade de chuva nos últimos 3 anos; (ii) o crescimento populacional da cidade, que dobrou em 30 anos; e (iii) o enriquecimento da população, que elevou o consumo, associado ao desperdício e a leniência no uso da água. Embora a média de chuva anual na Cidade do Cabo seja de 490 mm, metade da média mundial e 1/3 da média da cidade de São Paulo, de 1.500 mm ao ano, o consumo diário de água na Cidade do Cabo era de 235 litros por pessoa, antes do racionamento, ante a média mundial per capita de 173 litros diários.  Entretanto, desde fevereiro/2018, o consumo diário per capita está limitado a 50 litros.

Se o nível dos reservatórios cair a 13,5%, serão tomadas medidas mais drásticas, podendo ser decretado o chamado Dia Zero, quando nenhuma água sairá das torneiras de residências ou empresas até o inverno, a estação de chuva. Nesse cenário, o cidadão deverá dirigir-se a um dos 200 pontos de distribuição controlados por forças de segurança para receber 25 litros diários de água por pessoa, ficando as ruas vigiadas por forças policiais para impedir roubos e saques.
Se o dia Zero ocorrer de fato na cidade do Cabo, significará uma grande dramatização da escassez da água que afetará cada vez mais as populações civis em diversas partes em escala mundial.  Para prevenir ou ao menos amenizar a ocorrência desses eventos desastrosos é urgente a tomada de providências efetivas por parte dos governos nacionais, em colaboração com as entidades internacionais, e com o imprescindível engajamento de todas as pessoas nas  regiões e países mais afetados.    
Soji Soja